Como as bactérias que você carrega podem estar afetando seu estado de espírito

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Como as bactérias que você carrega podem estar afetando seu estado de espírito

Chris W/Getty Images
Se há algo que nos torna humanos são nossas mentes, pensamentos e emoções.
Um novo conceito controverso que está surgindo, contudo, aponta que as bactérias do intestino também têm um papel importante nisso: elas agiriam como uma espécie de mão invisível em nossos cérebros.
É nesse campo que pesquisadores estão trabalhando ao investigar como os trilhões de micróbios que sobrevivem em nós e nos habitam - o que é chamado de nosso microbioma - afetam a nossa saúde física.
Até mesmo transtornos como depressão, autismo e doenças neurodegenerativas, como o mal de Parkinson, podem de alguma forma estar relacionadas a essas pequenas criaturas.
Nós sabemos há séculos que o modo como nos sentimos afeta o nosso intestino - apenas pense no que acontece com você antes de uma prova ou de uma entrevista de emprego -, mas agora isso está sendo visto como uma via de mão dupla.
Grupos de pesquisadores acreditam estar à beira de uma revolução que usa "micróbios do humor" ou "psicobióticos" para melhorar a saúde mental.
O estudo que deu a partida para esse conceito foi realizado na Universidade de Kyushu, no Japão, em 2004.
Cientistas demonstraram que camundongos "livres de germes" - aqueles que nunca tiveram contato com micróbios - produziram duas vezes a quantidade de hormônio do estresse quando afligidos do que os camundongos normais.
Os animais eram idênticos, exceto pelos micróbios. Isso foi considerado um forte indício de que a diferença era resultado de seus micro-organismos. E o trabalho se tornou a primeira pista do impacto que a medicina microbiana teria na saúde mental.
"Todos nós voltamos sempre àquele primeiro artigo, à primeira leva de neurocientistas japoneses que estudaram os micróbios", diz Jane Foster, neuropsiquiatra da Universidade McMaster, no Canadá. "Foi realmente muito importante para nós que estavámos estudando depressão e ansiedade."
Há agora uma rica corrente de pesquisa relacionando camundongos sem germes a mudanças no comportamento e até mesmo na estrutura do cérebro.
Mas a vida completamente estéril deles não é nada parecida ao mundo real. Estamos constantemente entrando em contato com micróbios em nosso meio ambiente - nenhum de nós é livre de germes.
No Hospital Universitário de Cork na Irlanda, o professor Ted Dinan está tentando descobrir o que acontece com o microbioma de seus pacientes deprimidos.
Para os médicos, um microbioma saudável é um microbioma diverso, que contém uma grande variedade de espécies diferentes de micro-organismos.
"Se você comparar alguém que está clinicamente deprimido com alguém que está saudável, há uma diminuição na diversidade da microbiota (flora intestinal)", diz Dinan.
"Não estou sugerindo que esta seja a única causa da depressão, mas acredito que, para muitos indivíduos, ela contribui para o surgimento da doença."
O pesquisador argumenta ainda que alguns estilos de vida que enfraquecem nossas bactérias intestinais, como uma dieta pobre em fibras, pode nos tornar mais vulneráveis.

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