'Game of Thrones' impressiona e também frustra público em terceiro episódio - Lully FM - La Profundidad 88.1

segunda-feira, 29 de abril de 2019

'Game of Thrones' impressiona e também frustra público em terceiro episódio

'Game of Thrones'
Game of Thrones prometia algo incrível para a batalha final contra o Rei da Noite e nos entregou um capítulo de tirar o fôlego, capaz de capturar o caos e desespero de uma batalha impossível de ser vencida. Entretanto, fica difícil não se sentir desapontado pelas poucas mortes e pela facilidade da resolução do problema.

A análise a seguir possui spoilers:

O capítulo é extremamente tenso e possui uma das batalhas mais espetaculares já filmadas - e incluo obras do cinema nessa comparação. A Batalha dos Bastardos, na sexta temporada, foi grandiosa, mas essa luta é caótica, desesperada e aterrorizante, como deveria. Sem falar em momentos mais intimistas, como a cena de Arya na biblioteca, tentando passar despercebida por um grupo de zumbis, é ótima e lembra os melhores momentos de Walking Dead.
Só que o episódio também nos relembrou muitos erros do passado, como vistos no fatídico capítulo Beyond the Wall, da sétima temporada. Personagens tomam decisões questionáveis e ainda assim conseguem sobrevivem, apesar das dificuldades enfrentadas. É problemático quando um roteiro deixa a lógica de lado para criar drama.
Algumas questões me incomodaram muito. Para onde Bran foi depois de entrar nos corvos e encontrar o Rei da Noite? Ele não volta até o fim da luta final de Theon. Pra que foi espionar, se não tenta avisar ninguém de nada? Por que Jon e Daenerys sumiram por tanto tempo antes de enfrentarem o Rei da Noite? Era só deixar os dragões defendendo as muralhas até o chefão aparecer.
Sem falar que não faz sentido nenhum o ataque da cavalaria Dothraki para iniciar o combate contra os mortos-vivos, ainda mais no escuro. E, apesar da cena ser maravilhosa, como Arya passou por todo o exército de zumbis para conseguir pular pelas costas do Rei da Noite? Por sinal, a resolução pareceu simples demais. Ok, sabíamos que um golpe bem dado com Vidro de Dragão poderia vencer o vilão, mas desse jeito foi anticlimático.
Em termos de espetáculo, Game of Thrones chegou ao seu auge com The Long Night, dirigido novamente por Miguel Sapochnik, especialista em batalhas medievais para a TV. Em termos narrativos, as coisas continuam corridas e parece que os roteiristas decidiram abraçar de vez o Deus Ex Machina, termo usado para apontar uma solução mirabolante e artificial para uma trama.
Em momentos como esse, fica claro que o criador George R.R. Martin realmente parou de ajudar nos roteiros. Ele não teria medo de matar metade dos protagonistas na luta ou de dificultar a resolução a ponto de precisar da genialidade de um ou dois personagens para acharem uma saída.
Dito isso, vale apontar que o capítulo consegue nos surpreender nos pequenos detalhes. É maravilhoso ver Jon Snow correndo heroicamente para enfrentar o Rei da Noite e o vilão simplesmente ignorando sua presença depois de levantar os mortos para detê-lo. Ou então, finalmente entendermos o propósito e a jornada de Melisandre, Arya e Beric Dondarrion. Momentos como esse compensam.
Em termos técnicos, o episódio capturou a desorientação de uma batalha medieval como nunca antes vimos na televisão e foi capaz de trabalhar outros aspectos, como terror e suspense, sem perder o foco no caos. O ataque implacável das criaturas foi aterrorizante. A montagem foi cuidadosa, com bons planos de sequência, cortes elegantes e sempre mantendo a visão dos personagens. Pena o capítulo ser escuro demais, estratégia conhecida para economizar dinheiro com efeitos especiais.
Considerando o peso político da série, é apropriado que a batalha final pelo futuro dos Sete Reinos seja decidido pelos representantes das principais casas de nobres e não por uma ameaça externa. Só resta torcer que os últimos três episódios finalizem de forma satisfatória a luta pelo Trono de Ferro.

Veja o trailer do capítulo que foi ao ar em 28 de abril de 2019:



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