‘Homem-Aranha’: vilão do novo filme é indireta a políticos como Trump e Bolsonaro - Lully FM - La Profundidad 88.1

sábado, 6 de julho de 2019

‘Homem-Aranha’: vilão do novo filme é indireta a políticos como Trump e Bolsonaro

‘Homem-Aranha’:
Todo grande filme de super-herói precisa de um vilão à altura. Em ‘Homem-Aranha: Longe de Casa’, que chega aos cinemas nesta quinta-feira, o antagonista de Peter Parker (Tom Holland) é Quentin Beck (Jake Gyllenhaal), também conhecido como Mysterio.
O personagem faz parte do universo do Homem-Aranha nos quadrinhos, mas o diretor Jon Watts e os roteiristas Chris McKenna e Erik Sommers fizeram algumas mudanças em sua personalidade para torná-lo mais atual. Mantiveram o fato de Mysterio ser um mestre de ilusões, mas decidiram tocar numa discussão em alta nos dias de hoje: pós-verdade e a postura de políticos como o presidente norte-americano Donald Trump.
Em sua primeira aparição no filme, Mysterio já foi acolhido por Nick Fury (Samuel L. Jackson), que ainda junta os pedaços dos acontecimentos em ‘Vingadores: Ultimato’. O time de heróis está numa espécie de hiato, enquanto a Terra sofre a ameaça de criaturas perigosas, os Elementais, que estão deixando um rastro de destruição em diversos pontos do planeta.
Mistério diz conhecer os Elementais, que teriam vindo de um universo paralelo no qual ele também vivia, e se coloca no papel do único homem capaz de derrotá-los. Porém, perto da metade de ‘Homem-Aranha: Longe de Casa’, surge a revelação de que aquelas criaturas terríveis sequer existem. São frutos de um plano do personagem de Gyllenhaal para se vender como o novo herói na praça, aproveitando o vácuo deixado pela ausência de Tony Stark e companhia.
A estratégia é clara: aproveitar um momento de fraqueza da população, órfã dos Vingadores, e usar o clima de medo em benefício próprio. “As pessoas hoje acreditam em qualquer coisa”, chega a dizer o vilão, em determinado ponto do filme.
Trata-se de uma tática que, infelizmente, não está restrita à ficção. O discurso que elegeu Trump nos EUA, por exemplo, se baseou em grande parte em confrontar a chegada de imigrantes ao país, inflacionando os números e reforçando estereótipos como a do imigrante violento e que chegava ao país para roubar vagas de emprego dos cidadãos norte-americanos.
Para Trump, pouco importa se esse é mesmo o problema real. Uma reportagem do jornal El País de fevereiro deste ano mostrou que o número de imigrantes ilegais vindos do México vinham caindo desde 2006. O importante era pintar os latinos como vilões e ele o super-herói com o poder de construir um muro na fronteira, sua principal promessa de campanha, e que se provou apenas falácia.
A retórica trumpista também é usada pelo presidente Jair Bolsonaro, que em seu discurso durante a posse se vangloriou de que, através dele, o Brasil começava “a se libertar do socialismo”, regime que na prática nunca vigorou no país, mas é sempre um fantasma a ser espantado na cabeça dele e de seus seguidores.
Em seu subtexto, ‘Homem-Aranha: Longe de Casa’ parece querer passar um recado: desconfie de quem se auto-proclama herói. Só porque você quer muito acreditar em alguma coisa a ponto de precisar dela para se mostrar útil, ela não necessariamente é real.

Curta nossa página no Facebook, Instagram e Twitter venha fazer parte da família Lully FM!

Por Diego Olivares

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Curta nossa página no Facebook, Instagram e Twitter venha fazer parte da família Lully FM!