Metallica é acusado de revender os próprios ingressos para lucrar mais - Lully FM - La Profundidad 88.1

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Metallica é acusado de revender os próprios ingressos para lucrar mais

Metallica
20 anos após entrar na Justiça para impedir que o Napster disponibilizasse suas músicas de forma digital, o Metallica volta a ser assunto na Justiça norte-americana, mas desta vez como suposto culpado de um esquema de fraude.
Segundo áudio de 2017 obtido pela revista Billboard, um representante do grupo de heavy metal teria criado um esquema de fraude na venda de ingressos para aumentar a margem de lucro.
A revista conseguiu a gravação de um telefonema de 11 minutos de 2017 na qual conversavam o presidente de shows da Live Nation, Bob Roux, Tony DiCioccio, antigo representante do Metallica, e o promotor independente Vaughn Millette.
A ligação foi feita antes da WorldWired Tour e teria captado DiCioccio pedindo para que Roux reservasse ingressos para os revendedores. Cerca de 10 mil ingressos foram reservados para o show de abertura porque os tíquetes oficiais estariam baratos demais.
A Live Nation, empresa responsável pelas vendas da banda, aceitou a proposta, que visou a aquisição de entradas que, em seguida, foram repassadas para intermediários e cambistas.
Assim, muitos fãs não conseguiram adquirir os ingressos e precisaram pagar mais para obter entrada para o show do Metallica.
Apesar de ter sido o único artista revelado, outros utilizaram do mesmo expediente. A revista Billboard informou que a Live Nation permitiu que artistas vendessem diretamente ingressos para shows em sites de revenda, como o Stuhbub.
A Live Nation disse à Billboard que cerca de uma dúzia de artistas pediram ingressos para vender nos mercados paralelos entre 2016 e 2017.
"Depois de ver o volume de transações secundárias para aquele show, o consultor independente DiCioccio trabalhou com a Live Nation em uma estratégia de distribuição única, que usava o mercado secundário como um canal de distribuição de vendas para bilhetes selecionados e de alta qualidade", disse a Live Nation em um comunicado.
As partes supostamente fizeram um acordo com Metallica e a Live Nation, cada um recebendo 40% da receita de revenda, com os 20% restantes divididos entre DiCioccio e Millette.
No telefonema obtido pela Billboard, os executivos estavam discutindo maneiras de manter a parceria em segredo. Na teleconferência, eles discutem o registro de um endereço de e-mail para transferir tíquetes para que pareçam ser para patrocinadores, uma prática comum no mundo todo.
Apesar da manobra, Millette acabou perdendo dinheiro com o acordo. Mas, para compensar isso, ele não devolveu parte da receita, o que teria incomodado DiCioccio e o Metallica. Algum tempo depois, ele enviou por e-mail uma gravação da conversa, que vazou para a Billboard.
Os membros da banda afirmam que não sabiam que o consultor de ingressos contratado tomara essa decisão.

Bom negócio

O mercado global de ingressos secundários pode render US$ 15 bilhões em 2020, segundo a empresa de pesquisas Technavio.
Sendo assim, o grande impacto do artista vendendo ingresso com intermediários é enorme. Em vez de permitir que os cambistas ganhassem dinheiro ao comprarem bilhetes para revenda, os próprios artistas têm entrado no jogo para reter mais receitas.
Em um caso recente, a banda Bikini Kill vendeu ingressos para o show por cerca de US$ 40, mas logo depois os ingressos mais baratos no mercado atingiram até quatro vezes esse valor.
Esse é aparentemente um problema recorrente nos Estados Unidos e o caso chegou a ser discutido pelo congressista Democrata Bill Pascrell, que representa New Jersey. "Sem o conhecimento dos fãs, aparentemente a Ticketmaster e a Live Nation estavam trabalhando com a administração do Metallica para reter 88 mil ingressos e repassá-los diretamente em sites de revenda", disse ele. "Isso é triste, mas é verdade", concluiu, parafraseando Sad But True (Triste, Mas verdade), lançada pela banda em 1991.
Pascrell tem como uma das bandeiras do mandato o Boss Act, que tem como meta diminuir a especulação em torno da venda de ingressos e aumentar a transparência. Batizado em referência ao apelido de Bruce Springsteen, a medida surgiu há 12 anos, quando uma turnê do músico enfrentou problema semelhante. "A Lei Boss força a divulgação de quantos ingressos estão sendo vendidos, quantos estão sendo retidos e de onde vêm os ingressos. Isso também evitará que aqueles com conexões com artistas e locais revendam conscientemente ingressos a um preço elevado", acredita.

Taylor Swift: um exemplo a ser seguido?

Após Taylor Swift amargar prejuízios em uma turnê de 2015 e perder cerca de US$ 150 milhões, vendendo ingressos abaixo do valor de mercado, de acordo com uma análise do Financial Times, ela decidiu que não iria mais lutar contra a lei da oferta e demanda. Mas também não se renderia ao padrão do mercado.
Swift usou a plataforma Verified Fan da TicketMaster (também de propriedade da Live Nation), que usa dados on-line para garantir que as pessoas que compram ingressos sejam fãs reais. A plataforma rastreia se os compradores compraram ingressos ou mercadorias de Swift antes. Para aqueles que não são fãs verificados, os preços dos ingressos foram aumentados. O Financial Times estima que Swift fez um lucro adicional de US$ 1,4 milhão por show em turnê de 2018, como resultado das mudanças em relação às falhas de 2015.

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Fonte R7

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