• TV se adapta a pandemia com programas caseiros

    Famosos entram no ar de dentro de casa
    A televisão tem buscado soluções caseiras para superar, ou pelo menos atenuar, os efeitos causados pela quarentena em época do novo coronavírus.
    Depois de novelas e programas cancelados ou adiados, alguns retornam produzidos nas casas de seus apresentadores — e outros são criados totalmente do zero, sem plateia, luxo ou grandes produções.
    Em "Sinta-se em casa", lançado diariamente no Globoplay, o comediante Marcelo Adnet grava sua imitações e esquetes com um celular. Isolado em sua casa, ele conta apenas com a ajuda da mulher, Patricia Cardoso.
    "Tenho duas opções. Ou ela grava pra mim, ou eu mesmo gravo, mas não tenho tripé, nem pau de selfie. Então é um negócio meio paleolítico, de ter de empilhar livros", diz ele em entrevista por telefone ao G1.
    "Gasta umas boas horas, nem tanto para produzir, mas para acertar a luz e outras coisas. Daí acontece um imprevisto, um cachorro que late, um carro que passa, e tem que começar de novo."
    Além do programa de cerca de três minutos, a TV brasileira tem apresentado outras alternativas. Gregório Duvivier tem apresentado semanalmente seu "Greg News", da HBO, direto de casa desde o dia 27 de março.
    Ou melhor, da casa de sua mãe, onde se reuniu com a família para o isolamento. Sua irmã, fotógrafa, cuida da iluminação e do som. Sem a plateia tradicional do programa, ele conta com a mulher e o irmão.
    O exemplo também é seguido pelas participações de Ana Maria Braga, direto de sua própria casa, no "Encontro", que voltou à programação na segunda-feira (20).
    Todas as manhãs, a apresentadora lembra de receitas clássicas do "Mais você" e conversa com Fátima Bernardes.
    Neste sábado (25), Ivete Sangalo será a primeira participante do "Em casa". A série de shows produzida pela Globo será transmitida ao vivo dos lares dos artistas, que cantarão sucessos e mostrarão um pouco da intimidade aos fãs.
    Já o humorístico "Zorra" volta no dia 2 de maio com os melhores momentos dos últimos cinco anos, mas com um clipe gravado por seu elenco, cada um em sua própria casa.

    Sofá digital

    Movimento parecido ao brasileiro teve início há algumas semanas nos Estados Unidos, quando quase todos os principais talk shows noturnos voltaram à programação de forma mais minimalista, após um período de incertezas.
    Com seus últimos episódios gravados em estúdio no começo de março, as produções passaram a ser realizadas direto dos lares dos apresentadores.
    Assim, os sofás dos programas de entrevista foram substituídos por conexões de vídeo, nas quais nomes como Matthew McConaughey, Chris Hemsworth e Hugh Jackman conversaram com Stephen Colbert ou Jimmy Fallon, cada um devidamente isolado em suas próprias casas.
    A maior reinvenção veio, no entanto, do humorístico "Saturday Night Live", um dos mais tradicionais da televisão americana.
    No ar desde 1975 e transmitido tradicionalmente ao vivo de um estúdio em Nova York, o programa de esquetes exibiu no último dia 11 uma edição gravada por seu elenco em suas casas, com cenário e figurino realizados pelos próprios comediantes e participação de Tom Hanks.
    O segundo episódio no formato será exibido neste sábado (25).

    O tosco como linguagem

    É possível encontrar conexões entre o novo "Saturday Night Live" e o "Sinta-se em casa" que vão além do gênero de esquetes. A começar pelos cenários e figurinos improvisados.
    "Ninguém me mandou nada, não tem nada aqui que não tinha antes da quarentena. A gente chegou a pensar, mas decidimos que não precisa, porque daí você assume uma linguagem", conta Adnet, que lançou o primeiro capítulo no dia 13.
    "Então o tosco é uma linguagem. Quando eu estou de barba na piscina com uma flor no cabelo fazendo a Gizelly (participante do 'BBB20'), tudo bem. Eu não sou ela. O humor tem essa liberdade. De entender que é tudo uma paródia, uma sátira, brinca com a simbologia das coisas."
    Cada episódio do programa é produzido todo no dia em que fica disponível na plataforma de vídeo da Globo. Para o comediante, isso ajuda a manter o "Sinta-se em casa" atual, com comentários sobre o que acontece no noticiário.
    "Nesse momento da história que a gente começa a perceber a importância da cultura. Música, filmes, séries, audiovisual, tudo isso passa a ser muito relevante, né. Se a gente estava questionando em algum momento a importância da cultura, agora ficou claro".

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    Fonte G1

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