• Um conto de dois NieRs: como o game original acabou ganhando duas versões

    Um conto de dois NieRs
    Há 10 anos atrás, no fim de abril de 2010, o primeiro NieR foi lançado ao mundo, com diferença de poucos dias entre a chegada do jogo no Japão e no Ocidente.
    O interessante, porém, é que nem todo mundo jogou o mesmo Nier.
    Em um dos planos mais curiosos para alcançar um público maior, a Square Enix lançou duas versões do game, uma para o Japão e outra para Europa e América.
    Quando foi anunciado oficialmente, na E3 2009, Nier mostrava como protagonista um brutamontes de meia-idade enfrentando hordas de figuras espectrais.



    Meses depois, porém, a revista Famitsu revelou uma outra versão de Nier, que seria lançada exclusivamente para o PS3 no Japão, e que trazia um visual diferente para seu protagonista, mais jovem e esbelto.
    No fim, o jogo ganhou dois subtítulos: Nier Gestalt, a versão que chegou por aqui, trazia o protagonista mais velho e musculoso, que tem como objetivo principal defender e proteger sua filha, Yonah; em Nier RepliCant, o jogo no Japão, o herói tem o mesmo objetivo central, mas Yonah agora é sua irmã mais nova.
    Por que? Bom, essencialmente por medo de que o protagonista original não tivesse um grande apelo fora de seu país de origem.
    Ao contrário do que a revelação do jogo possa dar a entender, os planos originais do diretor Yoko Taro e o estúdio Cavia era fazer o jogo apenas com a versão mais jovem de Nier. Em conversas com o produtor Saito Yosuke, porém, os dois começaram a discutir como o jogo poderia ser adaptado para chamar atenção do público europeu e americano.
    E isso ganhou contornos ainda mais claros durante uma reunião com membros da Square Enix no Ocidente, onde a ideia de um personagem sem músculos balançar uma espada gigante seria ridículo.
    "No estúdio da Square Enix de Los Angeles tivemos uma discussão, onde foi dito que um personagem jovem e frágil não era possível", declarou Taro em uma entrevista com o site japonês Inside Games (via Siliconera) em 2010. "Por isso, eu comecei a preparar um protagonista mais machão para a América do Norte."
    Em retrospecto, considerando o passado (e futuro) da empresa, alguém da Square Enix dizer que um personagem com um visual mais esbelto usar uma grande espada como arma é...
    ... Estranho, para dizer o mínimo, mas foi assim que Taro começou a desenvolver a ideia de uma narrativa entre pai e filha, envelhecendo Nier e transformando-o em pai de Yonah no Ocidente.
    E também é importante lembrar que o período entre final da década de 2000 e início de 2010 era uma era de ouro para protagonistas mais fortes e intimidadores - God of War 3 saiu apenas um mês anterior a Nier, Dante's Inferno havia sido lançado em fevereiro.
    De resto, porém, as narrativas de Nier Gestalt e Nier RepliCant são essencialmente as mesmas, com uma ou outra mudança em referência à idade ou papel do protagonista.
    O resultado deu certo?
    Não.
    Nier não vendeu muito em seu lançamento no Ocidente, e sua recepção foi mista entre críticos. Com o passar dos anos, o jogo foi ganhando um status de clássico cult, mas ainda sem um grande reconhecimento do público.
    ... Pelo menos até 2016, quando Nier: Automata foi um grande sucesso de vendas e crítica.
    Como é possível ver acima, o jogo tem como protagonistas uma andróide lolita gótica e um andróide na forma de um rapaz franzino, ambos com espadas grandes.
    Yoko Taro, em seu estilo típico, comentou o sucesso de um e o fracasso de outro da seguinte maneira.
    "Isto é sobre o título anterior, mas eu fui informado que 'machões são bem recebidos' em países estrangeiros, especialmente nos EUA. Mas o jogo não vendeu nem um pouco bem. Fãs me falaram 'eu gosto de machões, mas não é isto que estou procurando em jogos da Square Enix'. Aquele jogo vendeu mais ou menos bem no Japão, então fizemos Nier: Automata com a ideia de que pelo menos ele vendesse lá. Então para ser para ser honesto, eu não estudei nada de mercados estrangeiros. No fim ele foi um sucesso, e não temos ideia de como ele vendeu tão bem".
    "Porém, isso faz a história que contei hoje totalmente sem sentido".
    No fim, pelo impacto narrativo não ser tão significativo entre as duas versões, a preferência fica mais por gosto do que qualquer coisa. Curiosamente, não consigo deixar de traçar um paralelo entre o Nier de Gestalt com uma reinvenção de um dos personagens que o inspirou, ainda que de forma mais abrangente: Kratos em God of War de 2018, que também deve proteger e ajudar seu filho.
    De qualquer forma, no futuro o público ocidental terá a chance de ver o jovem Nier em ação, com a remasterização de Nier: Replicant, intitulada ver.1.22474487139 (que, para explicar a piada, é a raiz quadrada de 1,5).

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    https://www.theenemy.com.br/pc/nier-gestalt-replicant-versoes-diferencas

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