A ciência não tem porta voz
  • A ciência não tem porta voz

    Cloroquina
    O dia 26 de fevereiro de 1998 marcou o início de uma desconfiança internacional sobre a vacina MMR, que protege contra Sarampo, rubéola e caxumba.
    Foi naquele dia, em Londres, que o médico Andrew Wakefield apresentou uma pesquisa preliminar, publicada na conceituada revista Lancet. Wakefield e seus colegas de estudo, todos cientistas e falando em nome da ciência, levantaram a possibilidade de um "vínculo causal" do autismo com a vacina contra o Sarampo.
    Apenas em 2004, o Instituto de Medicina dos EUA concluiu que não havia provas de que o autismo tivesse relação com a vacina. Quanto a Wakefield, também em 2004 descobriu-se que antes da publicação do artigo na Lancet, em 1998, ele havia feito um pedido de patente para uma vacina contra sarampo que concorreria com a MMR, algo que foi visto como um conflito de interesses.
    Em 2010, o Conselho Geral de Medicina do Reino Unido julgou Wakefield "inapto para o exercício da profissão", qualificando seu comportamento como "irresponsável", "antiético" e "enganoso". E a Lancet se retratou do estudo publicado uma década antes, dizendo que suas conclusões eram "totalmente falsas".
    Não era incomum, conforme relatos na história da humanidade, que algumas poucas pessoas sempre se intitularam como os únicos porta-vozes da razão e da ciência e “falaram” em nome delas. Essas autoridades, como se estivessem investidas de poderes divinos, ainda hoje insistem em ignorar tratamentos, que se mostram eficazes, pelo simples fato de não levarem a chancela da ciência.
    A utilização da cloroquina claramente se tornou uma disputa política, tendo a esquerda, como maior opositora ao uso da medicação, se arvorado como porta voz da ciência. Claramente a mídia tem contribuído para a insegurança do tratamento ao se recusar a divulgar, de forma responsável, os inquestionáveis resultados positivos que o tratamento com o uso da cloroquina promove, especialmente quando utilizados assim que os primeiros sintomas se manifestam.
    Somado a isso, é patente o poder da indústria farmacêutica no mundo e os muitos interesses financeiros em jogo, muitas vezes como resultado da pressão dos seus acionistas por lucro. Se assim não o fosse, suas ações não seriam comercializadas na bolsa de valores.
    Dessa forma, na medida em que muitas indústrias farmacêuticas têm como core business o desenvolvimento e comercialização de vacinas, é razoável que a Covid-19 seja vista como uma oportunidade de lucrar. Não se questiona aqui a conduta ética dos gestores da indústria farmacêutica por isso, mas busca-se trazer a reflexão sobre a possibilidade de que os acionistas dessas grandes empresas, ao se decepcionarem com os resultados financeiros obtidos, se vejam compelidos a vender seus ativos, impactando na precificação do valor das ações.
    Essa forte pressão poderia, em tese, influenciar para que estudos fossem contrários à utilização da cloroquina, clara concorrente das medicações em fase de desenvolvimento, especialmente por se tratar de um medicamento de baixo custo de produção e amplamente utilizado em países pobres.
    A mídia precisa de cautela para não se portar como oposição, muito menos como defensora de determinada política pública de saúde, especialmente quando a sua posição também pode conflitar com o interesse de clientes das indústrias farmacêuticas que muito investem em propaganda.
    O exemplo vergonhoso do estudo científico sobre a vacina contra o sarampo levou anos depois a um simples pedido de desculpas, mesmo que tenha custado a vida de milhares de crianças ao redor do mundo que não se vacinaram por seguirem cegamente os porta-vozes da ciência. Espera-se que a história não se repita.

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    Paulo Xavier
    Sentimento do Povo

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