• Artistas negros dominam o Top 5 da Billboard Hot 100

    Artistas que estão bombando nas paradas musicais pelo mundo
    Representatividade: a palavra perfeita para definir o ranking mais recente da Billboard Hot 100 desta semana. A atualização da parada de singles dos Estados Unidos nesta segunda-feira (11/5) entra para a história como a primeira vez em que o Top 5 é dominado apenas por artistas negros.
    No topo da Hot 100 está o remix de “Say So”, que marca as primeiras lideranças das carreiras de Doja Cat e Nicki Minaj. Na vice-liderança “Savage”, outro remix da parceria entre Megan Thee Stallion e Beyoncé. Quatro representantes do empoderamento negro e feminino na música no ponto mais alto da lista.
    Outros nomes como Rihanna, Cardi B e Lizzo também estão por aí celebrando o poder, resiliência e beleza da mulher negra. Entretanto, chama atenção um dado estatístico: da lista com as 10 artistas femininas mais ouvidas no Spotify atualmente, apenas 4 são negras: Nicki Minaj (#2), Rihanna (#4), Doja Cat (#5) e Beyoncé (#7).
    Três artistas masculinos completam o Top 5: o canadense The Weeknd escorregou duas posições com “Blinding Lights” enquanto seu conterrâneo Drake aparece em 4º com “Toosie Slide”. Em 5º temos o norte-americano Roddy Ricch com o hit viral “The Box”. Todos lideraram a Hot 100 em algum momento recente e começam a experimentar a curva descendente nos charts.
    Ainda assim, Drake acaba de conquistar uma importante marca na carreira. Ao estrear seu mais recente single “Pain 1993” no 7º lugar, o rapper alcança pela 38ª vez o Top 10 e iguala o recorde de Madonna. Entretanto, é importante ressaltar que as 38 aparições da rainha do Pop foram como artista principal. Já o rapper tem 25 canções como artista principal e outras 13 como participação.
    Doja Cat e Nicki Minaj repetem feito histórico de Brandy e Monica
    Desde a criação da parada de singles em agosto de 1958 até a última atualização (referente à semana de 16/5) que destaca “Say So” no topo da parada, um total de 1.100 canções chegaram ao 1º lugar. Em seis oportunidades uma parceria feminina chegou ao número 1. O cenário é ainda mais assustador se lembrarmos que esta é apenas a segunda vez que uma parceria entre artistas negras atinge a glória máxima.
    Em 1998, Brandy e Monica uniram forças em um single que moldou a fórmula perfeita para uma canção r&b moderna. À época, a imprensa insistia em colocá-las como rivais e a melhor resposta foi “The Boy Is Mine”, uma canção estruturada como uma “briga” entre as duas aspirantes cantoras pelo mesmo homem. Uma referência clara à “The Girl Is Mine”, lançada em 1982 por Michael Jackson e Paul McCartney.
    A estratégia deu certo e “The Boy Is Mine” fez história ao permanecer por 13 semanas consecutivas no topo da Hot 100 e faturou o Grammy de Melhor Performance r&b (duo ou grupo) em 1999. Um registro em altíssimo nível que alavancou a carreira de Brandy e Monica no fim daquela década e pavimentou o caminho para grupos como Destiny’s Child e, por que não, cantoras como Doja e Minaj?
    A primeira música gravada por um artista negro a chegar ao número 1 é uma prova de que a música norte-americana (assim como a brasileira) é capaz de absorver várias influências. Quando Tommy Edwards lançou “It’s All in the Game” em 1958, muitos estranharam que não se tratava de um rock and roll ou r&b, os gêneros mais populares da época, mas sim uma balada em estilo doo-wop com letra inspirada em um poema croata. E um detalhe pra lá de curioso: este é o único hit pop já escrito por um alto funcionário da Casa Branca e que improvavelmente vincula um vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 1925 ao Prêmio Nobel de Literatura de 2016.
    O feito de Tommy Edwards abriu caminho para muitos talentos de origem negra ao longo das últimas décadas. Podemos elencar nomes como Ray Charles, The Supremes, Louis Armstrong e Marvin Gaye na década de 1960. The Jacksons 5, Sly & the Family Stone, Diana Ross, Al Green, Stevie Wonder, Al Green, Gladys Knight & the Pips, Barry White, Gloria Gaynor, Chic e Donna Summer na década de 1970. KC and the Sunshine Band, Michael Jackson, Kool & the Gang, Lionel Richie, Prince, Whitney Houston e Janet Jackson na década de 1980. Mariah Carey, Boyz II Men, TLC, Seal, Coolio, 2Pac, Toni Braxton, Puff Daddy, The Notorious B.I.G., Will Smith e Lauryn Hill na década de 1990.
    Nos últimos 20 anos, nomes mais familiares dos mais jovens também alcançaram a glória máxima de ter uma (ou mais) músicas no número 1: Destiny’s Child, Aaliyah, Outkast, Usher, Alicia Keys, Mary J. Blige, Ja Rule, Nelly, 50 Cent, Ludacris, Beyoncé, Jay-Z, Kanye West, Chris Brown, Rihanna, Wiz Khalifa, Akon, Flo Rida, Bruno Mars, Drake, Pharrell Williams, John Legend, The Weeknd, Cardi B, Childish Gambino, Lil Nas X, Travis Scott, Lizzo… e agora Doja Cat e Nicki Minaj se juntam a este time.
    Minaj, que emplacou nada menos que 109 músicas na Hot 100 sem ter conseguido um número 1 até então, agradeceu à novata: “Cara Doja Cat, obrigada por confiar em mim como o seu bebê. Espero ter correspondido às suas expectativas. Você é extremamente talentosa e tão merecedora deste momento. Que horas você está mostrará seus peitos?”, brincou a rapper.
    Mas, qual o real espaço que os negros ocupam dentro da indústria musical?
    Uma forma de medir a importância da representatividade desses artistas é tentar entender contra o que eles lutam, ouvi-los e observar o atual contexto da música. A ocupação de espaços igualitários por brancos e negros dentro ainda é um destaque negativo, principalmente se estendermos o papo ao Grammy, a mais cobiçada premiação para esses artistas. A polêmica com Beyoncé e o álbum “Lemonade” na edição de 2017 e a tentativa de “limpar a barra” ao premiar Bruno Mars e seu “24K MAGIC” no ano seguinte ainda está fresca na memória do público.
    Além de Mars, apenas Stevie Wonder (1974, 1975 e 1977), Michael Jackson (1984), Lionel Richie (1985), Quincy Jones (1991), Natalie Cole (1992), Whitney Houston (1994), Lauryn Hill (1999), Outkast (2004), Ray Charles (2005) e Herbie Hancock (2008) levaram o Grammy de Álbum do Ano. Inacreditavelmente, em apenas 13 oportunidades de 62 possíveis (20,9% de aproveitamento) o prêmio principal foi para as mãos de um artista negro. Mas este assunto fica para um próximo artigo.
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    Fonte Popline

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