• 'Detesto ter de fazer sexo sozinha, mas a gente não pode receber visitas', diz Maitê Proença

    Maitê Proença
    Daqui a alguns anos, Maitê Proença vai contar ao neto que quando a mãe dele, Maria, engravidou, estávamos todos em quarentena por causa da pandemia do novo coronavírus. A atriz de 62 anos, que acabou de divulgar que vai ser vovó, também poderá lhe falar sobre as mil e uma utilidades que passou a exercer enquanto confinada, totalmente sozinha, nos 300 metros quadrados de seu apartamento no Edifício Chopin, na Avenida Atlântica.
    “Também vou contar todas as minhas ‘naturebices’. Afinal, estudo Nutrição há anos. Quero ser uma avó sem preconceitos, aberta para as verdades da criança, para que me ensine coisas e me faça ver o mundo pelo olhar dela. Sou aventureira, vamos nos divertir. Estou muito feliz. Vinha pedindo esse neto a Maria desde que ela virou mocinha. Mas ela não gosta que eu fique falando muito a respeito”, diz.
    De tudo o que sente falta no momento, Maria Marinho, de 29 anos, sua única filha (do seu casamento com o empresário Paulo Marinho), é, sem dúvida, o principal. “Sinto muitas saudades, mas é só um afastamento momentâneo.” Neste Dia das Mães, as duas vão matar as saudades em um almoço preparado pelo genro, “que cozinha muito”. Será a primeira vez que Maitê vai sair ou receber visita em casa, tudo vai depender de como a grávida acordar. “Será aqui ou na casa dela, como Maria preferir. Afinal, ela está com a prerrogativa neste momento. Se eu for sair, vou usar apenas as escadas, para não pegar elevador. E usar máscara o tempo todo. Estaremos comemorando a maternidade duplamente”.
    Fora o convívio familiar, Maitê sente falta de namorar. “Detesto ter de fazer sexo sozinha, mas a gente não pode receber visitas, né?”, conforma-se.
    Caseira por natureza, a atriz vem se desdobrando em muitos papéis diante da câmera do seu próprio celular. Faz lives no Instagram todo santo dia, compartilhando seu cotidiano com os 483 mil seguidores. Passar aspirador de pó e limpar a casa virou rotina. Mas não só isso. Ela dança, ensina receitas gastronômicas, segredos de tratamentos de beleza e passo a passo de exercícios físicos, além de dar conselhos sobre como sobreviver ao isolamento social e encenar textos com a amiga e parceira Clarisse Derzié Luz — ao vivo. Já se aventurou até em cortar o próprio cabelo e a retocar os fios brancos em vídeos do IGTV.
    “No fim do dia, fico exausta”, confessa Maitê, sem superestimar o fato de não ter funcionários em casa. “Nós dependemos demais dos serviços de outros. Em países anglo-saxões, as pessoas sabem fazer pequenos trabalhos de marcenaria, eletricidade, cuidam da própria casa e de si mesmas. Aqui não. Este é um ótimo momento para aprendermos que podemos ser mais autossuficientes. Se der errado, ninguém vai ver. É só esperar e tentar de novo. Aproveito para dividir o que pode ser de uso comum”, propõe.
    Embora seja hiperativa e otimista, Maitê confessa que também já andou deprimida durante a quarentena. “Fico melancólica, às vezes. Penso nas pessoas que não têm condições de higiene, nas informações contraditórias que confundem quem dá pouco crédito ao conhecimento científico. Penso muito em todas as pessoas que me fizeram bem ao longo da vida. E choro.”
    Nos últimos dias, foi confrontada por uma hater. “Teve uma mulher que virou para mim e disse: ‘Quem você pensa que é para falar desses exercícios? Fisioterapeuta?’. Aí expliquei que sou autodidata, mas muito estudada. Não é que ouvi falar de alguma coisa e estou simplesmente repassando. São dicas que trazem benefícios comprovados e nenhum mal ao corpo, mas, claro, não são como a receita de um remédio alopático”, pondera.
    Para espantar o mau humor (dela ou alheio), Maitê tem conselhos preciosos na manga. “Tem horas que o intelecto não resolve, pensar não ajuda. Então, pulo e danço, boto o animal para fora. Às vezes, até me machuco. Preciso da catarse”, conta. A rotina física começa cedo. “Ao acordar, faço exercícios respiratórios. Quando acontece a hiperventilação, a química do corpo muda e a gente melhora. E procuro sempre uma frestinha de sol que entra pela janela, para repor a vitamina D.”
    Nas poucas vezes em que pensou em furar o isolamento social, Maitê, que tem feito compras exclusivamente por delivery, se segurou para não atravessar a rua e ir até o calçadão da Praia de Copacabana. “Nem ao supermercado eu tenho ido. Quando isso tudo passar, o que mais quero é dar um mergulho no mar.”
    Os projetos profissionais engavetados em função da quarentena também enchem os olhos da atriz. Há muito tempo, ela planeja viajar por cidades inóspitas dos quatro cantos do mundo, a fim de documentar a vida de mulheres que são exemplos de força e superação. “Preciso fazer fora do Brasil, porque aí serei anônima. Como se sabe, os homens são e sempre foram retratados e as mulheres, deixadas de lado, esquecidas. Decidi que vou viajar com equipe pequena, sem patrocínio, com dinheiro do meu bolso, para fazer o piloto. Quero ter uma vivência ao lado delas”, explica.
    Uma das personalidades que pediu para sair do polêmico post em apoio à candidatura de Regina Duarte à Secretaria de Cultura, a atriz está de olho na colega, que, dizem, está sendo fritada pelo presidente Jair Bolsonaro. “A Cultura está segurando a onda de todos nós na quarentena. Imagine se não tivéssemos os filmes, a música, o teatro que temos oferecido on-line, a arte que os museus têm disponibilizado. Será que aguentaríamos?”, questiona. “As pessoas estariam deprimidas, drogando-se muito mais e pensando em se matar. Ainda assim, todos nós que produzimos cultura estamos sem ganhos. Esta é a situação, secretária!”, avisa.

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    Fonte O Globo

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