Minissérie sobre Michael Jordan é sucesso
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    Michael Jordan
    Quem foi jovem nos anos 1990 deve lembrar que usar um boné do Chicago Bulls configurava um status de realeza – ainda mais se fosse o original com oito listras. O mesmo ocorria com outras peças da equipe de basquete: camiseta, touca, meias, o que fosse. Era uma ostentação. Naquela década, os Bulls venceram seis títulos da NBA (1991, 1992, 1993, 1996, 1997 e 1998). O que impulsionava as vitórias e, consequentemente, a moda tinha nome e sobrenome: Michael Jordan. Um dos maiores atletas de todos os tempos, ele tem sua trajetória revisitada com a minissérie documental Arremesso Final — os últimos dois episódios serão disponibilizados na madrugada desta segunda-feira (18) na Netflix.
    Arremesso Final costura a narrativa como um ioiô: com depoimentos do presente (os ex-presidentes americanos Bill Clinton e Barack Obama estão entre os participantes), a linha do tempo pega como gancho algum fato que ocorreu no último ano de Jordan pela equipe de Chicago para abordar o seu passado – infância, faculdade, início na NBA (1984), fama, o ano no beisebol (1994) etc. A atração também aproveita para dar espaço aos seus companheiros de Bulls, entre eles Scottie Pippen e Dennis Rodman, além do técnico Phil Jackson.
    Tudo começa quando o gerente geral dos Bulls, Jerry Krause, reluta em renovar o contrato de Phil para mais uma temporada – mesmo ele comandando a equipe em seus seis títulos. Sua intenção é implementar um processo de renovação do time. Jordan anuncia que irá se aposentar caso o técnico saia. Todos concordam em segurar as pontas por mais um ano. Para uma última dança (como diz o título original em inglês, The Last Dance).

    Movido pelo rancor

    Dirigido por Jason Hehir (responsável por outros documentários de esporte, como André the Giant), Arremesso Final seria naturalmente um deleite para os fãs de basquete. Afinal, o personagem principal é alguém que foi seis vezes campeão da NBA, eleito melhor jogador do campeonato (MVP) em cinco ocasiões, vencedor de duas medalhas de ouro nas Olimpíadas, entre outras conquistas.
    No entanto, a minissérie é capaz de prender um espectador com zero noção do esporte. Apesar de ser um documentário, há tramas que são dignas de uma ficção luxuosa: as intrigas de bastidores são atrativas, assim como a dramaticidade. Embora em um primeiro momento o roteiro possa colocar Krause como um vilão, fica claro que nem tudo é como parece ser — vale ressaltar que ele é o responsável por montar aquele time. Os personagens habitam uma área cinza, inclusive o protagonista.
    Evidentemente, Arremesso Final se propõe a enaltecer os feitos de Jordan como atleta. No entanto, outras nuances da sua personalidade são expostas: a vulnerabilidade afetiva após a perda do pai, o vício em jogo, a competitividade exagerada e o assédio moral sobre os colegas. Aos 57 anos, Jordan segue rancoroso, sem superar pequenas picuinhas do passado.
    Em alguns momentos de sua carreira, era esse rancor que o motivava contra os adversários – às vezes, um sentimento que ele desenvolvia caso alguém não o cumprimentasse direito ou fizesse alguma brincadeira. Por bem ou mal, esse combustível o levava à vitória. Era obcecado em ser o melhor.

    Sucesso da pandemia

    Devido à pandemia de coronavírus, a minissérie teve sua estreia antecipada para o dia 19 de abril. Sem jogos da NBA para acompanhar, restou aos fãs de basquete reverenciar o passado. Sendo assim, Arremesso Final assumiu um protagonismo em noticiários esportivos dos Estados Unidos. Declarações expressadas na atração repercutem ao longo da semana – como quando Jordan chamou Pippen de "egoísta" por ter se afastado das partidas em protesto pelo baixo salário. É como se acontecimentos de décadas atrás fossem desenterrados para serem revividos.
    Jordan, novamente, tem sido um sucesso: segundo a empresa Parrot Analytics, que analisa as audiências com base em dados online, Arremesso Final é a série documental mais vista no mundo. O site UOL divulgou que a Netshoes, revendedora da loja oficial da NBA no Brasil, registrou um aumento de 650% das vendas dos produtos relacionados aos Bulls nos últimos 30 dias. Pelo visto, o boné da equipe de Chicago está virando uma coroa novamente.

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    Fonte William Mansque/GaúchaZH 

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