Luiz Fernando Reis defende o antifascismo no Carnaval
  • Luiz Fernando Reis defende o antifascismo no Carnaval

    Luiz Fernando Reis
    A morte de George Floyd nos Estados Unidos e as manifestações antidemocráticas no Brasil despertaram sentimento de revolta em boa parte da população, incluindo sambistas, que nesta segunda-feira (1º) encheram as redes sociais de manifestações antifascistas e anti-racistas. Luiz Fernando Reis defendeu o movimento e acredita que é hora do samba definitivamente assumir o papel que lhe cabe nessa luta.
    “A gente precisa começar a separar o joio do trigo. Quem é do bem e quem é do mal. Isso tá muito claro. O samba é do bem, então, não tem sentido, no Carnaval, você ter alguma coisa racista. É inaceitável. O Carnaval, em essência, vem da ancestralidade negra. Fascismo, racismo, misoginia ou qualquer tipo de preconceito… como pode o mundo do samba apoiar algo assim? Eu radicalizo muito o processo. O fascismo é verdadeiro, real, a coisa tá acontecendo. E chega um momento em que a sociedade tem que dar um basta e eu espero que o mundo do samba faça sua parte”.
    Ao longo do dia, vários sambistas, incluindo carnavalescos e o próprio Luiz, publicaram imagens do símbolo do antifascismo em redes sociais. Escolas de samba também se posicionaram contrárias ao racismo através da campanha ‘Vidas negras importam’. O comentarista, porém, criticou os dirigentes das agremiações e disse que a força do movimento dependerá das comunidades.
    “A gente tem que levar em conta que muitos dos nossos dirigentes não são bem antifascistas, né? Eles sempre estiveram, de uma forma ou de outra, atrelados ao poder. Tanto que temos escolas altamente reacionárias. Existe uma onda conservadora muito forte e tá na hora do samba dar um basta nisso. Não dá pra ficar passando pano. Mas é uma atividade que tem que começar de baixo pra cima, pelos componentes, porque se formos esperar algo dos dirigentes, vai ficar por isso mesmo”, afirmou.
    Ex-carnavalesco, Luiz Fernando Reis ganhou notoriedade pelos temas críticos e irreverentes na Caprichosos de Pilares, como o antológico “E por falar em saudade”, de 1985. Para ele, as agremiações não só devem continuar investindo na crítica, como é essencial uma abordagem política. O comentarista lembrou que enredos dessa temática marcaram a história do Carnaval carioca, como “Heróis da Liberdade”, feito pelo Império Serrano em 1969, e, exatos 50 anos depois, “História pra ninar gente grande”, da Mangueira.
    “A gente tem uma gama enorme de enredos progressistas e isso tem que continuar. Só que as escolas têm que parar de cantar ‘liberdade, liberdade’ da boca pra fora. Muita gente passa na Avenida em desfile contra o racismo e na prática faz completamente o contrário. A escola não tem que ser um panfleto político-partidário, mas que ela tem que dar porrada, tem. É fundamental. A essência do Carnaval é crítica, e crítica é política”, concluiu.

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    Fonte SRZD

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