Modelo projeta que 6 mil de vidas seriam salvas no Brasil em duas semanas se fosse mantido o isolamento
  • Modelo projeta que 6 mil de vidas seriam salvas no Brasil em duas semanas se fosse mantido o isolamento

    Ilustração
    “Há uma mudança pequena todo dia”, explicou Silva e Silva ao Estadão. “(O cálculo) É feito para resistir a mudanças pequenas. Evita olhar mudanças abruptas de um dia para o outro.” O pesquisador afirmou que evita fazer cálculos por períodos muito longos, porque “tem muito erro associado”.
    “Quando você faz uma projeção, está extrapolando informação. E aí você fala assim: Mas no passado você não está fazendo projeção, porque tem os números. Eu tenho o número real que aconteceu, mas o que teria acontecido sempre é projeção”, explicou. Por isso, o modelo dos pesquisadores projeta apenas para duas semanas no futuro. “Quanto maior o tempo, maior o erro.”
    Assim, até 9 de junho, pela primeira hipótese, morreriam 1.865 pessoas, e pela segunda, 1.292. Logo, até aquele dia, seriam salvas pela quarentena 573 vidas. No dia seguinte, esse número subiria para 755; em seguida, 967, e assim por diante. Em 21 de junho, a diferença entre os dois caminhos (respectivamente 8.823 e 2.204 óbitos) resultaria nas 6.619 pessoas poupadas. Importante lembrar: esse período é ajustado dia a dia.
    “O distanciamento social parece ter sido efetivo quando consideramos o Brasil inteiro e, após perder um pouco de força há umas semanas, parece ter melhorado”, dizem os pesquisadores nos comentários da página. “Cabe destacar que ele tem perdido força no Centro-Oeste e Sul, onde perderam boa parte do ganho obtido inicialmente. (...) Por fim, vemos que as curvas de uma forma geral foram achatadas. Mas o número de doentes ainda cresce muito, mesmo que mais lentamente. Isso sugere que é imperativo que os governos busquem alternativas de controle da epidemia para não enfrentarmos colapsos nos sistemas de saúde em breve.”
    Em São Paulo, com o R-Zero em 1,32 na semana passada, o cálculo é que, até o dia 21, 2.249 pessoas deixem de morrer de covid-19 por causa do isolamento, com base nos cálculos da segunda, 8. Os mortos seriam 398. Os pesquisadores estimam que, se fosse mantida a taxa de infeção anterior às medidas (2,51), as mortes em território paulista, até a mesma data, seriam 2.647. Já no Rio de Janeiro, haveria uma “economia” de 1.414 vidas até o fim do período, se o isolamento social fosse mantido - hipótese em que o indicador de contaminação ficaria em 1,22, e as mortes, em 329. Sem que as pessoas se isolassem, o R-Zero iria a 2,21, e os óbitos se elevariam a 1.743.
    Entre as cinco regiões do Brasil, a menor taxa de reprodução do vírus na semana passada, sob quarentena, foi a do Norte e Nordeste: em ambas, 1,35. No Sudeste, o R-Zero nas mesmas condições ficou em 1,39. Os piores resultados, mantido o isolamento, ficaram com o Sul (1,43) e o Centro-Oeste (1,57). Todos, porém, situaram-se longe do ideal: abaixo de 1.
    Silva e Silva considera que o isolamento tende a salvar mais vidas nas Regiões Sudeste, Nordeste e Norte porque concentram mais população e casos da doença. No Sul e no Centro-Oeste, há menor incidência da covid-19, o que também dificultou o isolamento social, porque as pessoas não viram casos próximos da doença. Ele se preocupa com o relaxamento das medidas no momento.
    “A gente está chegando naquela fase de números serem constantes. Só que esta não é a hora de parar. Porque a hora de parar é depois que você abaixa a curva do número de pessoas (infectadas), para ter um fôlego. Porque o que vai acontecer quando você parar é que (a quantidade de doentes) vai subir. Ou você consegue alternativas ao isolamento social - e a alternativa principal não é algo que consiga fazer com a quantidade de doentes que tem hoje em dia - ou o que vai acontecer daqui a duas, três, quatro semanas será a gente ver que os números vão subir”, afirmou Silva e Silva.

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    Estadão

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