Indefinição sobre o carnaval no Rio preocupa empresários, que sugerem datas
  • Indefinição sobre o carnaval no Rio preocupa empresários, que sugerem datas

    Portela 2020 
    A indefinição sobre a realização do carnaval de 2021 é um tema que preocupa não só o mundo do samba, mas também setores da economia que a festa ajuda a movimentar, como as áreas turística, hoteleira e de bares e restaurantes. Mesmo concordando que é preciso haver responsabilidade para promover os desfiles, o presidente do Sindicato dos Meios de Hospedagem do Município do Rio (Hotéis Rio), Alfredo Lopes, defende a necessidade de uma definição sobre sua realização, mesmo que seja pelo adiamento.
    Atingidos com a crise provocada pela pandemia, esses setores contam com o evento para tentar se reerguer. Em balanço divulgado no começo de março, a Prefeitura do Rio informou que o impacto na economia do evento desse ano foi de R$ 4 bilhões. Dados da Riotur mostram que o carnaval deste ano trouxe 2,1 milhões de turistas ao Rio, contra os 1,7 milhão que passaram o último réveillon na Cidade Maravilhosa.
    — Estamos totalmente combalidos. Tem 70 a 80 estabelecimentos fechados aqui no Rio com operação suspensa e uns já declararam até que não vão reabrir. Essa indefinição é a pior posição que a gente tem. Eu não tenho nenhuma dúvida que executar o carnaval dentro da data que estava prevista, em meados de fevereiro, é totalmente inviável mesmo que tivesse a vacina pelo simples motivo de os barracões (das escolas de samba) estarem desativados. Obviamente que juntando com o problema da pandemia, não tem condição nenhuma de definir que o carnaval vai ser ser feito em fevereiro. Se não vai haver o carnaval (em fevereiro) por que não pode ser adiado para a Semana Santa (em abril), que é o próximo feriado? — sugere Alfredo Lopes, que não descarta a realização dos desfiles em julho, quando o setor pode também se beneficiar do período de férias escolares. Ele ressalta, porém, que tudo deve estar atrelado à existência da vacina.
    O presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa), Jorge Castanheira, se reuniu com os representantes das 12 agremiações do Grupo Especial na noite de terça-feira. Após o encontro, condicionou a realização dos desfiles ao surgimento de uma vacina contra a Covid-19. Uma nova reunião foi agendada para setembro. O mês foi escolhido por ser considerado o limite para que as escolas consigam montar o desfile, caso o calendário inicial seja mantida, com o carnaval tendo início em 14 de fevereiro.
    — A gente precisa ver também se a partir de setembro as escolas teriam tempo para fazer o espetáculo. É lógico que após esse prazo fica muito mais difícil para que as escolas possam viabilizar o desfile e, obviamente a gente também não sabe o que vai acontecer com o réveillon, com os outros eventos de grande porte, mas estaremos aguardando também a determinação dos órgãos de saúde e de governo que têm a chancela para poder autorizar o evento — diz Castanheira.
    Embora o presidente da Liesa estime em seis meses o tempo necessário para montar o desfile, para os profissionais do samba o prazo é muito relativo e vai depender da capacidade de estrutura e de organização de cada agremiação. Alexandre Couto, diretor de carnaval do Salgueiro, contou que o desfile de 2019 foi montado em dois meses:
    — A vantagem do carnaval é a união dos sambistas. Se estipular um prazo e tiver de fazer vai sair. A superação do sambista é algo fora co comum. Agora, o que a gente está vivendo é uma coisa nova para o mundo todo. Até a Olimpíada foi cancelada. A gente tem que a aprender a cada dia e entender que tudo isso vai passar — afirma Alenxadre.

    Semana Santa é uma das possibilidades

    Para o diretor de carnaval da Grande Rio, Thiago Monteiro, é possível montar um desfile em até três meses dentro do formato atual em que cada escola poder levar para a Avenida seis carros alegóricos e mais um acoplado, além de uma média de 3 mil componentes. Ainda assim, seria necessário reunir uma força-tarefa no barracão, o que impactaria nos custos, calcula:
    — O tempo de produção do espetáculo está diretamente relacionado ao eu tamanho. Para fazer (o carnaval) em fevereiro,a data-limite seria novembro. Ainda assim, do tamanho que foi feito em 2020 — estaca.
    Enredo da Vila Isabel para 2021, o cantor e compositor Martinho da Vila brinca que está chateado com aindefinição, justo na sua vez de ser a figura central do desfile. Ele diz, contudo, que é otimista:
    — Eu acho que se o quadro continuar como está provavelmente vai ter que adiar o carnaval. Não acredito que a pandemia será eterna, mas acho pouco provável que dê para fevereiro. Isso preocupa um pouco, pois carnaval sem aglomeração não dá. Até dá para fazer sem plateia, mas não dá para manter o distanciamento entre os sambistas. Estou chateado, mas sou bastante otimista.
    O intérprete Neguinho da Beija-Flor nunca pensou na possibilidade de passar um ano sem subir num carro de som na Avenida. Mesmo assim, concorda com o posicionamento da Liesa e dos dirigentes das escolas.
    — Estou com o Castanheira e com a direção das escolas. Não tem condições mínimas de fazer desfile sem que haja uma vacina. Aí que a gente vai conhecer a verdadeira pandemia. E olha que eu dependo do carnaval. Vivo dele, é o período em que a gente faz mais shows e acerta as contas. Infelizmente, vou ter que ficar mais apertado, vou me endividar, mas tenho que concordar com a direção (das escolas) e o presidente da Liesa. O carnaval é contato físico, é boca a boca, respiração. Não tem como, é a verdadeira aglomeração — diz Neguinho, que subiu num palco pela última vez em 8 de março, numa apresentação em Nova Iguaçu.
    Das 12 escolas do Grupo Especial, oito já divulgaram os enredos para 2021. Uma das hipóteses estudada seria transferir os desfiles para os feriados da Semana Santa, em abril, ou de Corpus Christi, em junho.
    Procurada, a Prefeitura do Rio informou que segue concentrando esforços para salvar vidas e controlar a pandemia na cidade. Não se manifestou, porém, sobre a reunião da Liesa: “Nesse momento, ainda não é possível falar em definição sobre o carnaval Rio 2021 em função da pandemia da Covid-19”, diz a nota. Quanto ao impacto econômico do evento, destacou que o turismo no Rio estava em ascensão, com recorde de público no réveillon e carnaval, mas que a pandemia fez o cenário mudar, assim como ocorreu em todo o mundo.

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    Jornal Extra

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