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Empreendedorismo e eleições: por que startups não são prioridade dos nossos candidatos?

Ilustração

A inovação e o empreendedorismo não são pauta prioritária dos candidatos à presidência: em seus mais recentes discursos, nenhum dos cinco candidatos mais bem posicionados traz qualquer menção concreta a políticas voltadas ao desenvolvimento tecnológico e apoio à inovação disruptiva.
O motivo disso parece claro: é difícil desenvolver uma política federal de apoio à inovação no longo prazo e ganhar votos com isso. Em uma campanha eleitoral, há uma infinidade de temas mais urgentes para a população, como segurança, saúde, educação e emprego, e o sucesso das urnas depende de comunicar soluções para esses problemas imediatos
A dificuldade continua no início de um governo, onde há pressão natural da sociedade em exigir aquelas reformas anunciadas em campanha, e o problema continua do meio para o fim, com o aperto orçamentário, que não faz distinção entre “despesas” e “investimentos”.
Se ainda houvesse uma demanda popular pela inovação e tecnologia – pensem na força política que a corrida espacial tinha nos anos 1960! –, poderíamos ter um cenário diferente. Todavia, nossa população, sofrida pelas crises institucionais, sociais e econômicas, não parece também colocar a inovação tecnológica como uma prioridade para essas eleições.
Este cenário não parece animador, mas nenhuma das evidências apresentadas muda o fato de que a inovação e o empreendedorismo continuam sendo vitais se quisermos mais empregos, saúde, educação, segurança pública. Três argumentos parecem se destacar para suportar esta afirmação.
Primeiro, a inovação cria empregos. A tecnologia cria mais empregos do que destrói, e empresas envolvidas em novos modelos de negócio empregam de forma mais descentralizada, rápida e com salários maiores do que setores tradicionais da economia, como, por exemplo, por meio de aplicativos de mobilidade urbana, entregas delivery, canais de influenciadores digitais, bancos digitais e marketplaces de produtos e serviços de economia criativa.
Segundo, a inovação muda a sociedade. Hoje as pessoas têm acesso a alimentos mais saudáveis e de melhor qualidade por conta de transformações tecnológicas na agricultura e pecuária. Moradores de regiões distantes têm acesso a aconselhamento médico por meio de telemedicina.
A educação à distância forma mais técnicos e bacharéis a cada ano, e tecnologias de segurança pública têm sido cada vez mais eficientes no combate à criminalidade nas grandes cidades.
Finalmente, a inovação gera competitividade. Não há como avançar na economia global sem uma matriz tecnológica definida e que seja coerente com nossas características populacionais: não seremos competitivos na nossa indústria se quisermos competir com China e Índia, ou simplesmente copiar a minúscula Israel.
Da mesma forma, nossa posição de destaque na agricultura e mineração deve fatalmente encontrar um limite natural nas próximas décadas, seja pela escassez de recursos, seja pelos limites territoriais.
O desenvolvimento social passa também pela distribuição de riqueza e descentralização de investimentos, o que não pode ser feito sem uma política firme de apoio ao empreendedorismo de alto impacto, que precisa ser pauta dos nossos candidatos e candidatas.
Um passo importante seria pensar a criação de um Marco Legal de Startups: um diploma jurídico que, da mesma forma que o Marco Civil da Internet, pudesse servir como carta de referência para políticas nacionais de inovação, estabelecendo princípios, fundamentos e objetivos que, alinhados com ferramentas regulatórias concretas de apoio ao empreendedor, podem apontar para novos e modernos rumos para a economia brasileira.

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Fonte Pequenas Empresas, Grandes Negócios

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