News

10/recent/ticker-posts

Academia cogita realizar Oscar mesmo em período pandêmico

Oscar
Um pouco de entretenimento em um ano tão difícil. Será que o 93º Oscar, em 2021, será como as antigas cerimônias a que estamos acostumados?

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que organiza o Oscar, afirma que está estudando como realizar uma cerimônia presencial em Los Angeles no dia 25 de abril de 2021, dois meses depois do normal.
A Academia também pediu ao diretor vencedor do Oscar em 2001, Steven Soderbergh, para "repensar" o evento à luz da pandemia de covid-19.
Depois do que o mundo passou neste ano, a indústria cinematográfica espera que a cerimônia do Oscar seja de alto nível e grandiosa, em vez de discreta.
Embora o número de espectadores na TV tenha diminuído nos últimos anos, o Oscar ainda é o evento de entretenimento mais comentado do planeta.
O Twitter divulgou análises em 2014 mostrando que os tuítes sobre a cerimônia daquele ano foram vistos 3,3 bilhões de vezes em todo o mundo.
Incluía uma selfie repleta de celebridades postada pela apresentadora do Oscar Ellen DeGeneres, que se tornou a imagem mais retuitada da história do Twitter, até mesmo interrompendo o serviço por um breve período.
A Academia tem uma série de cerimônias virtuais, como o Emmy Awards deste ano, para se inspirar caso precise fazer um evento online ou híbrido.
O recente European Film Awards, tradicionalmente a última cerimônia de premiação do ano, foi realizado este mês no edifício Futurium, em Berlim, com algumas pessoas apresentando os prêmios, e os vencedores sendo parabenizados online.
"Decidimos fazer isso da maneira correta, ou então não faríamos nada", explica o produtor cinematográfico irlandês Mike Downey, presidente da European Film Academy.
"Já que até a chanceler alemã Angela Merkel apareceu, embora virtualmente, foi um evento administrado com muito cuidado. Cada pessoa no prédio foi testada todos os dias até o evento, máscaras tiveram que ser usadas em todos os lugares menos no palco e distanciamento social absoluto era obrigatório. Houve também um ensaio completo. Não há nada pior do que uma propaganda e exemplo ruins para o mundo".
A única coisa que os decepcionou, Downey acrescenta, foi uma conexão de internet ruim com uma região rural da França rural. "O diretor nomeado estava na conexão, mas seu rosto não podia estar".
Downey diz que o propósito de uma cerimônia de premiação agora "é demonstrar que o cinema ainda está vivo e - parafraseando uma citação - os relatos de seu fim foram muito exagerados".
Estúdios e cineastas, que contam com uma indicação ao Oscar para aumentar a bilheteria de seus filmes, concordam que um evento de premiação de alto nível é um incentivo valioso.
Mesmo que o chamado "salto do Oscar" para melhor filme tenha diminuído na última década, a empresa de análise de dados Comscore tem estatísticas mostrando que a bilheteria do filme Parasita, de Bong Joon-Ho saltou 79% no fim de semana após sua indicação para melhor filme.
O diretor dinamarquês Thomas Vinterberg, que ganhou quatro European Film Awards por seu drama Another Round, estrelado por Mads Mikkelsen, espera que também possa garantir uma indicação ao Oscar de melhor filme internacional.
"É edificante, além de dar apoio e ser super importante", diz ele. "Já aconteceu uma vez comigo com o filme The Hunt. É uma jornada alegre quando acontece, e eu espero que isso aconteça novamente".
"O Festival de Cannes, o European Film Awards ou o Oscar - acho muita coragem o que todas essas organizações estão tentando fazer neste momento. Estão batalhando para que o cinema receba atenção, para manter um glamour em torno da experiência e para criar heróis e heroínas para o mundo."
"Eles merecem serem ovacionados por isso".
Desde a indicação até a cerimônia do Oscar, geralmente os indicados passam por um turbilhão de viagens internacionais, festas, ensaio de fotos e outros tapetes vermelhos, enquanto fazem lobby para seu filme.
Mesmo que o Oscar consiga uma cerimônia física em abril, os dias anteriores à festa serão muito menos chamativos.
O filme de Florian Zeller, The Father, que tem seis indicações ao British Independent Film Awards, deve estar na disputa. É um retrato da demência aclamado pela crítica, estrelado por Anthony Hopkins e Olivia Colman.
Embora o filme tenha tido uma estreia no Festival Internacional de Cinema do Cairo neste mês, Zeller, um cineasta francês estreante, não pode comparecer ao evento. Ele sabe que a promoção do filme não será o que ele sonhou.
"Sim, não é o que eu esperava", diz ele. "Mas este ano você não deve esperar nada, porque o ano sempre te surpreende. Ouvi dizer que o filme foi bem recebido por pessoas que o viram, mas não vou esperar qualquer coisa além do sentimento de alegria, bem aqui do meu escritório".
Quando se trata das indicações ao Oscar de 2021, há um candidato que se beneficiou do fato de o público estar em casa em 2020.
O LA Times estimou que a Netflix gastou até US$ 30 milhões (R$ 156 milhões) na promoção do filme Roma de Alfonso Cuaron - o que não resultou na vitória de melhor filme. Nem teve sucesso com o épico de Martin Scorsese de US$ 159 milhões (R$ 829 milhões), O Irlandês.
Mas este ano tem uma série de lançamentos de alto nível, incluindo o drama de ficção científica de George Clooney, The Midnight Sky, o filme de David Fincher sobre a produção de Citizen Kane, Mank, o drama de guerra de Spike Lee, Da 5 Bloods, e os direitos internacionais de Tom Hanks para Western News of the World, dirigido por Paul Greengrass.
O ano também fez do musical The Prom, estrelado por Meryl Streep, Nicole Kidman, James Corden e Kerry Washington, que está cotado para o Globo de Ouro, ser outra previsão do Oscar. É sobre uma adolescente que quer levar a namorada ao baile de formatura do colégio. E a mensagem de alegria na diversidade pode, espera Streep, ser perfeita para 2020.
"É um filme que abraça", diz ela." E, cara, precisamos disso neste momento do mundo. Os jovens do filme erguem o teto com sua exuberância, alegria e amor por estarem vivos. Seja qual for a sua tristeza, é irresistível quando as pessoas começam a dançar".

Diversidade

A combinação dos quatro Oscars de Parasita de Bong Joon-Ho - o primeiro filme não em inglês a ganhar o prêmio de melhor filme - e mais de 800 novos eleitores da Academia em 2020 pode afetar a lista de indicações. Quarenta e cinco por cento da "turma de 2020" são mulheres e 36% não são brancas.
Isso pode significar que uma diretora, Chloé Zhao, estará na disputa pelo prêmio de melhor diretor por seu aclamado filme Nomadland, estrelado por Frances McDormand.
"Acho que é Nomadland versus Netflix", diz o crítico de cinema Kaleem Aftab.
"E acho que Nomadland vai ganhar. Não por outra coisa senão ser o melhor filme, da mesma forma que Parasita foi o melhor filme do ano passado. Acho que essa pode ser a mudança que estamos vendo no Oscar, de que o 'clube dos meninos' acabou. O filme pode vencer o grande estúdio de poder que o Netflix se tornou".
Como muitos, Aftab espera que o Oscar seja realizado em pessoa.
"Um evento físico anunciaria que estamos em uma nova era e que podemos finalmente voltar aos cinemas, e que podemos ver os grandes sucessos de bilheteria. Acho que saberemos quando isso acontecerá, quando a vacina tiver seu impacto e possamos voltar a ter uma vida normal".

Baixe nosso App na Play Store, siga-nos em nossas redes sociais, Facebook, Instagram e Twitter. Venha fazer parte da família Lully FM!

Fonte Revista Época

Postar um comentário

0 Comentários