• Como foi o confronto entre Santos e Grêmio da Libertadores de 2007

    Foto: Efe
    Na única vez em que Grêmio e Santos enfrentaram-se pela Libertadores, os gaúchos ainda jogavam no Olímpico e os paulistas eram treinados por Vanderlei Luxemburgo. O dantesco embate, nada recomendável para cardíacos ou espíritos suscetíveis, aconteceu pela semifinal da Libertadores 2007 e teve em Diego Souza, então com florescentes 22 anos, uma figura decisiva.
    A conjuntura era bastante diferente da atual, especialmente no lado gremista. Se hoje o time de Renato Portaluppi está consolidado e vem de grandes conquistas recentes, naquela época o Grêmio retornava à Libertadores após um comemorado e surpreendente terceiro lugar no Brasileirão 2006, justamente na temporada em que voltava da Série B. Passava, portanto, por uma etapa de reconstrução, no campo e também no âmbito institucional. Menos de dois anos após a Batalha dos Aflitos, aquele perrengue ancestral diante do Náutico, o clube espiava pelo buraco da fechadura e antevia sua quarta final de Libertadores.
    Melhor campanha na fase de grupos, com o irreparável aproveitamento de seis vitórias, o Santos seria mais uma vítima do Mal de Vélez Sarsfield, moléstia muitas vezes fatal que castiga os times que muito se destacam no início da Libertadores. Chegava para o confronto contra o Grêmio invicto, pois não perdera confrontos também nas oitavas e quartas de final, contra Caracas e América (do México).
    Sob o comando de Vanderlei Luxemburgo, ainda na ponta dos cascos no manejo da prancheta, estavam nomes de pura cátedra, como Zé Roberto, Cléber Santana e o lateral-esquerdo Kléber. Portanto, causou estranheza quando o time atuou de forma convictamente encolhida no primeiro jogo, em Porto Alegre. Apesar do arqueiro Saja ter salvado um chute demasiado temprano de Marcos Aurélio, os anfitriões tiveram as rédeas da situação durante todo o jogo, decidido em alucinantes cinco minutos da primeira etapa.
    O abalo sísmico no campo antecipou a avalanche da arquibancada. Aos 32 minutos, Diego Souza enroscou-se com o zagueiro Ávalos e sofreu pênalti, convertido por Tcheco, estandarte daquela época gremista, para o bem e para o mal. Instantes depois, Adaílton, o outro defensor santista, dormiu o sono da bruxa com a bola no pé e só lhe restou observar um meteórico Carlos Eduardo parar nas redes de Fábio Costa, que logo depois evitaria o terceiro gol. A vantagem de 2 a 0, segundo o próprio Luxemburgo, era injusta: o Grêmio poderia ter saído praticamente classificado para a final naquela congelante noite de labaredas azuis no Velho Casarão.
    Daquele jogo, há um personagem que se repete, andarilho do futebol e conhecedor dos atalhos da grande área. Depois de começar a carreira no Fluminense como volante, Diego Souza experimentava momentos de glória nos setores mais ofensivos da esquadra gremista. Treze anos atrás, naturalmente, era bastante mais veloz e, apesar da tenra idade, já aspresentava um espírito demasiado canchero para desnortear defensores. Assim, tornou-se figura fundamental daquele precavido Grêmio treinado pelo desde sempre prevenido y ortodoxo Mano Menezes, que investia num meio-campo iniciado por Gavilán e Sandro Goiano e perdia de pouco fora para depois fazer valer a determinante condição de local, como acontecera nos mata-matas anteriores, contra São Paulo e Defensor.
    Para tristeza e deslumbre de Pelé, presente numa abarrotada e trepidante Vila Belmiro, partiu do peito do pé direito de Diego Souza o bólido que abriu o placar do segundo jogo e aparentemente carimbava e reconhecia em cartório uma fácil classificação gremista para a decisão. Apenas aparentemente, pois o Santos rebelou-se contra o que o destino lhe apresentava, virou o jogo e chegou ao 3 a 1, golaço de Zé Roberto, quando faltavam intermináveis quinze minutos para o desfecho. O desaque da partida, pelo lado santista, havia sido Renatinho, 20 anos, autor dos dois primeiros gols, que depois faria carreira no Japão, além de peregrinar em Portugal, China, Tailândia e Albânia. Na atual temporada, chegou a defender o Brasiliense e hoje está sem clube. Aquele foi o maior jogo de sua vida, pois a Libertadores também tem disso: às vezes, alguma espécie de consagração mesmo na derrota.
    Com um olho no peixe e outro no relógio, o Grêmio adotou metódica paciência e sub-reptícia letargia para que a agonia definhasse e o clube alcançasse, contra todos os vaticínios do começo de 2007, sua quarta decisão de Libertadores -- até então, eram dois títulos, em 1983 e 1995, contra Peñarol e Atlético Nacional, e um vice, diante do Independiente, em 1984. Logo, já no derradeiro trecho do caminho rumo ao tricampeonato, adiado por exatos dez anos, surgiria um paralelepípedo do tamanho do morro de Sapucaia chamado Boca Juniors de Juan Román Riquelme. Nada que diminua, no entanto, o afeto e o orgulho dos gremistas por aquela temporada de delirantes y redentoras jornadas vividas e cantadas pelas misteriosas quebradas da Azenha.
    Grêmio x Santos, tem transmissão ao vivo da Lully FM, hoje, a partir das 19:15.

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