• Painel de 'Medida Provisória' é marcado pelo 'afrocentrismo'

    Elenco de 'Medida Provisória'
    O painel de Medida Provisória, primeiro longa dirigido por Lázaro Ramos, foi marcado pelo afrocentrismo, segundo definiu Manoel Soares, apresentador do É de Casa e mediador da Arena Thunder. O jornalista fez um paralelo que trouxe a alma tanto da produção do cinema quanto do evento realizado virtualmente na CCXP 2020, nesta sexta-feira (4). "Eu acredito que estar em um set em que a essência tem esse afrocentrismo deve ser algo diferencial", falou, ao imaginar como os atores estariam à vontade durante as gravações e se orgulhar pela composição negra do painel, em que Taís Araújo e Seu Jorge também estavam presentes.
    O longa é centrado em uma medida provisória assinada pelo governo que, para pagar as dívidas da escravidão, decide enviar a população negra residente no país de volta para a África – sem que as pessoas tenham o direito de escolher se querem ou não o retorno para o continente. A nova MP afeta a vida de pessoas como a médica Capitu (Taís Araújo), o advogado Antonio (Alfred Enoch) e o jornalista André (Seu Jorge).
    67t nn"O filme se passa em um Brasil do futuro. Durante um tempo, algumas pessoas que estavam envolvidas no processo diziam que ele poderia ser um favela movie. E uma coisa que eu não queria fazer era justamente isso. Queria falar de outro estrato da sociedade com três personagens: uma médica, um advogado e um jornalista. Nesse contexto do Brasil do futuro em que eles estão tentando formar uma família, vão encontrando sua identidade e sua maneira de lutar", explica Ramos. 
    Com humor, o longa discute temas como a meritocracia e, obviamente, o racismo, além da solidão de pessoas negras, segundo explica Taís Araújo. "É uma provocação a quem não está acostumado a ver uma médica negra. E para ajudar a construir um imaginário que já existe. Já temos muitos médicos e médicas negras. Existe sim. E não se surpreendam! No texto também há aspectos sobre a solidão desses profissionais nesses trabalhos, quando não há com quem dividir sobre questões identitárias. Acho que tem um pouco de tudo", detalha a atriz. 
    À condução de Lázaro Ramos por trás das câmeras, não faltaram elogios. "Trabalhei com muita gente importante, relevante, sabedora do que está fazendo e com grandes projetos. Mas eu tive dois grandes diretores que me ensinaram: Wagner [Moura, diretor de Marighella] e o Lázaro. É a maior verdade". 

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    Fonte Portal Terra

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