Tentativa de ditadura esdrúxula no Carnaval Carioca

Tentativa de ditadura esdrúxula no Carnaval Carioca

Ilustração
Nossa redação teve acesso ao documento da Liga Independente das Verdadeiras Raízes das Escolas de Samba (Livres) que propõe uma 
homenagem de todas as escolas de samba ao presidente Jair Bolsonaro em 2022. Neste domingo (31), a entidade negou a autoria do projeto, mas o documento foi assinado pela presidente da Liga, Raphaela Nascimento, no dia 1º de dezembro de 2020.
A proposta, de 47 páginas, tem a logo da Livres e da Tradição, cuja presidente também é Raphaela Nascimento, e é endereçada a Bolsonaro. Segundo reportagem da Revista Veja deste sábado (30), o projeto seria levado ao Palácio do Planalto nos próximos dias.
nota divulgada pela Livres nas redes sociais afirma que “o suposto “projeto” não teve origem nos órgãos vinculados à LIVRES/RJ e não é de autoria de qualquer Diretor, Coordenador e/ou membro do corpo diretivo da LIVRES/RJ e das agremiações a ela filiadas” e que “o “projeto” não foi analisado pelas Diretorias de Carnaval, Artística, Cultural e Jurídica da LIVRES/RJ, que, têm a devida competência para fazer a triagem dos inúmeros projetos, ideias e propostas recebidos”.
Procuranos a Livres, por meio de sua assessoria de imprensa, para esclarecer o fato do documento estar assinado pela presidente da entidade e a Liga negar a autoria do mesmo. A Livres pediu que a reportagem entrasse em contato com Raphaela Nascimento. Até o fechamento desta matéria, a presidente não respondeu ao portal.

Detalhes do projeto

A ideia sugerida é que todas as agremiações desfilem com o enredo “Da Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro para Brasília, capital do Brasil. De JK (Juscelino Kubitschek) a JB (Jair Bolsonaro) – suas riquezas minerais, belezas naturais, fauna, flora e tradições” no Carnaval 2022. Em contrapartida, as escolas receberiam uma subvenção do Governo Federal, sendo R$ 4 milhões para cada uma do Grupo Especial e R$ 800 mil para cada uma da Série Ouro. As escolas da Intendente Magalhães também seriam contempladas com a verba.

Além dos desfiles, o projeto prevê apresentações das agremiações, com seus casais de mestre-sala e porta-bandeira, em Brasília: “As escolas campeãs do Rio de Janeiro desfilarão em Brasília, da Esplanada dos Ministérios até o Palácio do Planalto, onde serão recebidas pelo Presidente Jair Bolsonaro e receberão um troféu comemorativo de Brasília. A agremiação dará ao Presidente a bandeira que desfilou no Carnaval 2022 e uma camisa com o nome do enredo do Presidente Jair Bolsonaro”.

Segundo a proposta, um show na capital federal encerraria o Carnaval 2022. Participariam do evento, de acordo com o documento: Ivete Sangalo, Anitta, Alexandre Pires, Diogo Nogueira, Iza, Thiaguinho e DJ Alok. O projeto ainda conta com a participação de Bolsonaro, através de pronunciamento, no lançamento dos enredos; sorteio de geladeiras, bicicletas e automóveis para o público; e transmissão dos desfiles por outras emissoras além da TV Globo.

Sem saber, profissionais do Carnaval são citados


O documento cita a participação de alguns profissionais do Carnaval nos eventos planejados. Nossa produção entrou em contato com alguns deles, que desconheciam a existência do projeto e não autorizaram a inserção dos seus respectivos nomes na ideia.
“Surreal. Ninguém falou nada comigo. Eu vi a reportagem, até porque repercutiu bastante. Mas não faço a mínima ideia”, disse Junior Escafura, integrante da Comissão de Carnaval da Portela, que, segundo o projeto, participaria de um desfile antes dos desfiles oficiais na Sapucaí.
“Eu tenho um ranço, que minha vontade é todo dia chochar esse homem (Jair Bolsonaro). Eu não estou sabendo de nada. Se meu nome foi cogitado, fico até lisonjeado de ser lembrado, mas eu não tenho pretensão nenhuma de me apresentar pra esse homem. Se eu olhar pra cara dele, não sei nem o que eu faço”, afirmou Carlinhos Salgueiro, diretor de passistas, que, de acordo com a proposta, comandaria uma ala de passo marcado na abertura dos desfiles.

Após nota de repúdio, Leandro Vieira se pronuncia

A nota emitida pela Livres neste domingo (31) também repudiou as declarações de Leandro Vieira, carnavalesco da Mangueira e do Império Serrano. Segundo a entidade, o artista “não procurou informações junto à LIVRES/RJ e seus representantes, a fim de confirmar a veracidade das mesmas”.
Procurado pela nossa reportagem, nesta segunda-feira (1º), Leandro afirmou que tomou conhecimento do projeto antes de comentar e confirmou a veracidade do documento ao ver as assinaturas de dirigentes da entidade na última folha.
“Quando o jornalista da ‘Veja’ me procurou para comentar o projeto, a princípio, diante de algo tão descabido, pensei de fato que se tratava de um engano da parte dele. Diante da minha insistência em não crer que algo do tipo era possível, o jornalista me enviou as 47 páginas do projeto, onde consta, inclusive, a assinatura de quem preside a instituição para provar a veracidade do fato. Eu jamais comentaria algo tão louco sem questionar, ou ainda, sem cobrar que me provassem a veracidade daquilo que seria apresentado numa matéria onde haveria uma fala pública minha”, disse.

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Fonte SRZD

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