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Marte é o futuro da humanidade?

Ilustração da superfície de Marte
Desde que os humanos começaram a olhar para o espaço, um ponto brilhante e avermelhado chamou a atenção. Quando começamos a sair de nossa própria atmosfera nos aventurando pelo universo, ele foi se tornando um destino ainda mais ousado e atraente do que a Lua. Hoje, o grande sonho tecnológico e civilizatório da humanidade é chegar, explorar e colonizar Marte, nosso planeta vizinho e vermelho.
Foi na década de 1960 que os humanos começaram a descobrir o que Marte pode nos ensinar sobre como os planetas crescem e evoluem. A possibilidade de que já tenha existido vida inteligente lá fascina toda a ciência. Até agora, contudo, o que sabemos sobre isso vem de máquinas e expedições não tripuladas. A última leva de missões com destino ao planeta chegou lá no começo de 2021, com o rover Perseverance e o helicóptero Ingenuity, da NASA, e as sondas Hope, dos Emirados Árabes Unidos, e Tianwen-1, da China.

Ilustração baseada em fotos que mostra Valles Marineris
Essas viagens servem para alimentar o objetivo de diferentes agências espaciais (e algumas iniciativas individuais) de levar humanos a Marte até 2030. Várias novas missões serão lançadas antes disso para impulsionar a exploração. Mas para que servem essas expedições? Será possível um dia colonizar o planeta? Quando? E por que Marte, afinal? Vejamos.

Uma selfie tirada pelo rover Curiosity mostra o robô em Marte

Por que Marte?

O consenso entre cientistas atualmente é que tudo o que aprendemos sobre Marte ao longo dos últimos anos sugere que o planeta já foi capaz de hospedar ecossistemas - e que parte disso pode ter sobrevivido. Nesse caso, o planeta seria uma incubadora de vida microbiana esperando apenas que algo aconteça para voltar a funcionar. E a ideia é descobrir como fazer isso.
Marte é o quarto astro girando em torno do Sol, logo depois da Terra. Tem praticamente a metade do nosso tamanho, com 38% de nossa gravidade. Gira em torno de seu próprio eixo com a quase a mesma velocidade, embora leve mais tempo do que a Terra para completar uma órbita completa ao redor do Sol. É por isso que um dia em Marte dura só 40 minutos a mais do que um dia terrestre, mas um ano marciano tem 687 dias.

Foto feita por uma sonda espacial mostra o vulcão Apollinaris Patera em Marte

Apesar desse tamanho menor, a área habitável do planeta é equivalente à da Terra. O problema é que Marte está envolto em uma fina atmosfera de dióxido de carbono e não pode suportar formas de vida terrestres. Além disso, há metano no ar, o solo é meio tóxico e, embora a água exista, ela está presa em calotas polares geladas (e talvez enterrada abaixo da superfície).
As evidências sugerem que riachos, vales de rios, bacias, deltas e um vasto oceano já existiram por lá (com uma atmosfera capaz de manter a água líquida nas temperaturas necessárias para isso). Em algum lugar durante a história marciana, contudo, o planeta secou e passou a acumular poeira. A questão mais urgente, portanto, é saber o que aconteceu e para onde foram esses líquidos e essa atmosfera.
Com essas descobertas, seremos capazes de aprender como as mudanças climáticas podem matar um planeta. E, teoricamente, isso servirá para salvarmos o nosso - ou para recomeçarmos em outro lugar, quem sabe.

Como a exploração em Marte começou: anos 60, 70 e 80

As primeiras tentativas de chegar a Marte aconteceram no início da exploração espacial. Na fase pós-Sputnik, a União Soviética fez várias viagens na década de 1960, e a NASA logo a seguiu com sua nave Mariner 3. No começo mal se chegava perto do planeta, mas com o tempo algumas missões conseguiram tirar fotos borradas enquanto passavam rapidamente por sua órbita. Pois é, hoje você pode até ouvir o som da superfície marciana, mas tudo começa em algum lugar.
Em 1971, a URSS colocou a primeira espaçonave na órbita marciana, chamada Marte 3. Ela reuniu cerca de oito meses de observações sobre a topografia, atmosfera, clima e geologia do planeta. A missão também enviou um módulo de pouso à superfície, mas ele enviou dados por apenas 20 segundos antes de sumir. Logo se descobriu que enviar uma espaçonave a Marte era difícil, mas pousá-la no planeta era ainda mais. A fina atmosfera marciana torna a descida complicada e mais de 60% das tentativas de pouso até hoje falharam.
Ao longo das décadas de 1970 e 1980, as sondas começaram a enviar de volta dados muito mais detalhados sobre suas atmosfera e superfície. Foi nessa época que descobrimos coisas interessantes, como que Marte possui os maiores vulcões do sistema solar e um dos maiores cânions já descobertos - ambos podem ser vistos na ferramenta de Realidade Aumentada do nosso parceiro o portal Yahoo. Além disso, soubemos que tempestades de poeira varrem regularmente suas planícies e que os ventos levantam enormes tornados.
Entre 1976 e 1982, quem fez esse trabalho foram as missões Viking 1 e 2, da NASA. Elas realizaram experimentos biológicos em solo marciano com o objetivo de descobrir sinais de vida no espaço, mas seus resultados foram inconclusivos. A União Soviética também fez duas tentativas para alcançar uma das luas de Marte, Fobos, na década de 1980, mas ambas missões falharam.
O esforço dos astrofísicos e engenheiros espaciais da época foi tremendo, mas eles simplesmente não tinham a tecnologia necessária para chegar mais longe.

A evolução tecnológica: anos 90, 2000 e 2010

As missões mais avançadas em termos de reconhecimento de Marte começaram a acontecer na década de 1990, com a exploração do solo do planeta. A missão Mars Pathfinder, lançada em 1996 pela NASA, colocou o primeiro rover (um veículo construído para exploração espacial) se movimentando livremente por lá, o Sojourner. Seus sucessores, Spirit e Opportunity, enviaram mais de 100.000 imagens antes que tempestades de poeira destruíssem seus painéis solares na década de 2010.
Com a saída da União Soviética do jogo, a Rússia herdou parte de seus esforços e outras nações entraram na corrida pela exploração marciana. Na virada do século, as evidências da existência de água no planeta despertou interesse do mundo todo. Mesmo assim, apenas seis agências espaciais (NASA, a russa Roscosmos, a Agência Espacial Europeia [ESA], a Agência Espacial dos Emirados Árabes Unidos [UAESA], a Organização de Pesquisa Espacial Indiana [ISRO] e a Administração Espacial Nacional da China [CNSA]) já atingiram a órbita marciana. E, com oito pousos bem-sucedidos, só os Estados Unidos operaram veículos em sua superfície.
Hoje, há três veículos da NASA ativos na superfície marciana: o InSight está sondando o interior do planeta e já descobriu a existência de “martemotos” regulares, enquanto os rovers Curiosity, lançado em 2012, e Perseverance, de 2020, exploram crateras, tiram “selfies” e estudam rochas e sedimentos.
Na órbita, várias espaçonaves estão transmitindo dados: MAVEN, Mars Reconnaissance Orbiter e Mars Odyssey, da NASA; Mars Express e Trace Gas Orbiter, da ESA; Mars Orbiter, da ISRO; Tianwen-1, da CNSA; e Hope, dos Emirados Árabes Unidos. Juntas, essas missões mostram que Marte é um planeta ativo e rico em componentes necessários para a vida como a conhecemos - água, carbono orgânico e uma fonte de energia. Agora, a questão é: quando faremos alguma coisa com isso?

Colonização, bilionários e o futuro da exploração de Marte

lustração com um conceito do que seria uma base em Marte

Os principais objetivos do rover Perseverance, o mais moderno em solo marciano, são estudar o clima e as condições meteorológicas de Marte, testar tecnologias que podem ajudar os humanos a sobreviver lá e coletar amostras de dezenas de rochas que eventualmente serão trazidas para a Terra. A meta final é determinar se Marte já foi (ou ainda é) habitado.
Com base nessas respostas, a NASA planeja estabelecer as bases para enviar humanos ao planeta na década de 2030 - está desenvolvendo uma cápsula espacial chamada Orion só para isso. Embora planos ousados arrisquem que por volta de 2040 poderemos começar a pensar em colônias, isso pode demorar ainda mais para acontecer.
O interessante é que o jogo não está mais somente nas mãos das agências espaciais. Além delas, empresas privadas de voos espaciais como a SpaceX também estão tentando chegar a Marte. No site da companhia de Elon Musk, por exemplo, há um relógio indicando, em contagem regressiva, que faltam seis meses para o lançamento de seu foguete ao planeta.
Musk já disse que quer ter uma base marciana ainda nesta década e que está trabalhando em um plano que prevê um milhão de pessoas vivendo em Marte antes do final deste século. E ele é apenas um membro do pequeno grupo de tecnocratas bilionários que passou os últimos anos investindo centenas de milhões de dólares em empreendimentos espaciais. Entre eles está também Jeff Bezos, que, agora fora da Amazon, quer transformar sua empresa de viagens espaciais Blue Origin na grande concorrente da SpaceX.
É claro que há uma questão de status (foguetes são mais legais que iates) e de dinheiro (contratos valiosíssimos com a NASA estão em jogo) nesse fetiche dos bilionários pelo espaço. Mas é inegável também que, de uma forma ou de outra, isso pode apressar a conquista de Marte. Some isso ao fato de que em breve poderemos dizer se nosso planeta vizinho já teve vida - e se há um futuro para nossa espécie lá - e pode-se dizer que pelo menos algum humano vai morar em Marte enquanto estivermos vivos. Só não serão nem eu nem você.

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Felipe Blumen

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