Theatro Municipal Palco Livre e Instituto Cultural Vale apresentam “Centenário de nascimento de Mercedes Baptista, primeira bailarina negra do Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro”

Theatro Municipal Palco Livre e Instituto Cultural Vale apresentam “Centenário de nascimento de Mercedes Baptista, primeira bailarina negra do Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro”

Divulgação
Na quinta-feira, dia 20 de maio, o Theatro Municipal Palco Livre vai destacar os 100 anos de nascimento de Mercedes Baptista, a primeira bailarina negra do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Ela ingressou na Escola de Danças Clássicas do TMRJ nos anos de 1940, mas foi em 1948 que Mercedes Baptista entrou profissionalmente para o Corpo de Baile do Municipal.

O professor e pesquisador da EEDMO, Paulo Melgaço, autor da biografia de Mercedes Baptista, vai conversar com Wagner Gonçalves, carnavalesco e artista plástico que homenageou a bailarina em 2008 com o enredo “Mercedes Baptista, a cada passo, um passo” com a Escola do Grupo de Acesso, Acadêmicos do Cubango. A live começa às 19h, no Instagram @theatromunicipalrj.

Sobre Mercedes Baptista

Mercedes Baptista nasceu em Campos dos Goytacazes. Filha de João Baptista Ribeiro e Maria Ignácia da Silva, Mercedes veio com a mãe costureira para a capital. Grande amiga da filha, Maria Ignácia começou a trabalhar como empregada doméstica no bairro do Grajaú, no Rio de Janeiro para que a menina pudesse ter uma vida melhor. Pouco se sabe sobre o pai. Para ajudar a mãe, ela trabalhou em uma gráfica, fábrica de chapéus e foi bilheteira de cinema, local onde descobriu sua vocação: a de ser bailarina. Mercedes teve as primeiras aulas com a professora Eros Volúsia, bailarina do Theatro Municipal e pesquisadora da cultura e folclore nacional. E logo, a garota talentosa já apresentou uma coreografia ao lado do bailarino Octacílio Rodrigues. Fez tanto sucesso que foi destaque no jornal O Globo da época. Em seguida, na Escola de Dança do Theatro Municipal, teve aulas com o estoniano Yuco Lindberg e o tcheco Vaslav Veltchek. O mestre Yuco viu o potencial da nova aluna e conseguiu ajudar muito Mercedes, inclusive coreografando para ela o balé Iracema, no papel da índia de José de Alencar.

Mercedes Baptista sentiu na pele o preconceito e a discriminação racial em diversos momentos, inclusive no próprio Theatro quando não foi avisada da última prova prática para ingressar no Corpo de Baile, pelo simples fato de ser uma mulher negra. Ela descobriu a tempo e precisou realizar a seleção junto com os bailarinos homens para conseguir concorrer. Foi assim que ganhou o lugar no elenco.

O concurso “Rainha das Mulatas”, promovido pelo Teatro Experimental Negro (T.E.N) que tinha como fundador o ativista pela causa negra, Abdias Nascimento, acabou aproximando os dois, já que em 1948, a bailarina foi eleita a mais bela mulata. Iniciou uma grande amizade e parceria entre eles com destaque para eventos expressivos como a Conferência Nacional do Negro em 1949 e o Primeiro Congresso do Negro Brasileiro em 1950. Aliás, foi neste Congresso que Mercedes foi selecionada pela coreógrafa e antropóloga afro-americana Katherine Dunham para estudar na Duham School of Dance, em Nova York.

Mercedes retorna ao Brasil e começa a trabalhar com um grupo de negros e negras, com pouco poder aquisitivo. Desenvolve uma técnica específica para dança afro. Ela pesquisou o ritmo dos orixás, movimentos do candomblé e criou, em 1953, o Ballet Folclórico Mercedes Baptista, apresentando um novo mundo profissional para muitos negros no país. O pessoal passou a fazer shows internacionais, a partir de 1958.

Outra grande paixão de Mercedes Baptista era o Carnaval. A estreia na Avenida foi em 1960, na Escola de Samba Salgueiro, quando coreografou Quilombo dos Palmares a convite de Fernando Pamplona. O maior sucesso nesta Escola foi no carnaval de 1963 quando coreografou o Minueto para o desfile Xica da Silva. Naquele ano, a Escola foi a grande campeã do carnaval e Mercedes Baptista considerada a introdutora de alas de passos marcados no Carnaval. Este título custou muitas críticas no ano seguinte, sendo acusada de tirar a naturalidade do carnaval. Este fato aconteceu quando o Salgueiro apresentou Chico Rei e a Escola veio toda coreografada por Mercedes. Além do Salgueiro, ela coreografou e desfilou em diversas escolas, como: Beija Flor, Imperatriz Leopoldinense, entre outras. Em 2008, a Escola de Samba Acadêmicos do Cubango mostrou o enredo: Mercedes Baptista, de passo a passo, passo do carnavalesco Wagner Gonçalves. A última vez que desfilou no Sambódromo foi em 2009, como destaque da Escola de Samba Vila Isabel que homenageava o Centenário do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Mercedes Baptista morreu em 18 de agosto de 2014 e já recebeu diversas homenagens póstumas. Até hoje é símbolo de luta pelo lugar do negro no mundo.

A segunda edição da biografia Mercedes Baptista, a Criação da Identidade Negra na Dança, de Paulo Melgaço, será lançada em novembro desse ano, já que a primeira edição está esgotada.

Serviço:

Theatro Municipal Palco Livre e Instituto Cultural Vale convidam Paulo Melgaço e Wagner Gonçalves em Centenário de nascimento de Mercedes Baptista, primeira bailarina negra do Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro”

Data: 20 de maio – quinta - feira

Live às 19h

Instagram: @theatromunicipalrj

Classificação: Livre

Patrocínio Ouro Instituto Cultural Vale

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