Comediante é apontado como "Paulo Gustavo do Nordeste"

Comediante é apontado como "Paulo Gustavo do Nordeste"

Christiano Marinho e Paulo Gustavo 
No palco figurinos extravagantes, perucas e maquiagem exageradas, na plateia muitas risadas garantidas para o público. Essa é uma fórmula usada por muitos artistas, mas que nem sempre funciona. No cenário nacional poucos alcançaram um grande público, como por exemplo o carioca Paulo Gustavo. Em Alagoas, apesar do cenário dificultar a ascensão, Christiano Marinho foi um dos poucos artistas que desfrutou dessa dádiva de cair nas graças do público. Prestes a comemorar 30 anos de carreira, o alagoano brinda as conquistas relembrando o começo da carreira, as montagens, as referências e os próximos passos. 


A vida de artista começou cedo, quando tinha apenas quatorze anos fez o primeiro curso de teatro e ali engatinhava rumo a uma carreira meteórica que causaria bastante burburinho no nordeste. "Percebi que era algo forte, não se explica muito, se sente. Na época que comecei as pessoas taxavam a produção de teatro local como algo que não tinha qualidade", conta. Ele lamenta que naquela época existia muito preconceito com artistas locais, mas transformou aquele sentimento em combustível para mudar o cenário cultural de Alagoas. 


Durante anos de sua carreira o alagoano foi apontado como um artista com muitas características presentes na carreira do humorista Paulo Gustavo. Ele entra delicadamente no assunto e diz que não pode medir o seu sucesso com o do Paulo Gustavo, mas que reconhece algumas semelhanças. "Naquela época do Paloma Recebe, onde eu me vestia de diversos personagens no palco, as pessoas comparavam o meu trabalho e muitos traços do meu texto com os dele em 220 volts, exibido no Multishow. Isso há mais de 10 anos", revela. Ele lembra que começou a acompanhar o trabalho do carioca e além de referência, o artista se tornou um ídolo. 



Cada artista tem sua identidade e público, mas Christiano conta que entende que as pessoas às vezes precisam de uma referência para medir o trabalho de outra. "É uma honra quando me colocam no mesmo patamar de artistas que admiro. Principalmente quando citam o Paulo Gustavo, que foi um artista incrível e inspirador". Apesar do histórico e das suas vivências pessoais até se confundirem com as de Paulo Gustavo, para Christiano as oportunidades foram mais escassas. É nítido que artistas do eixo Rio/São Paulo tendem a ter mais visibilidade e oportunidades. Isso não tira o mérito dos seus trabalhos, é apenas uma infelicidade para tantos artistas espalhados pelo Brasil. Hoje a realidade vem mudando, graças à internet. "Já perdi muitos trabalhos por ser nordestino, mas o jogo está virando e hoje temos mais visibilidade". 


Outra grande dificuldade enfrentada por Christiano foi sentir que estava perdendo sua essência em projetos criados por terceiros. "O humor é essência, às vezes existe muita 'mão' em um personagem e o artista perde a voz no processo de criação, isso me incomoda muito e abri mão de muitos projetos na TV por conta dessa falta de liberdade", afirma. Apesar dos tropeços enfrentados ao longo de quase três décadas de carreira, o alagoano vibra ao recordar que já levou, em média, 250 mil pessoas para a montagem 'Romeu e Juli...eeeita!'. "Vai além de dados, é uma vitória pois o alagoano acredita que contribui para que os artistas tivessem ânimo de mostrar que era possível fazer arte local e ter público", conta. Em meio à crise sanitária ele pontua que ainda é cedo para firmar planos, mas que vai comemorar os 30 anos de carreira com um projeto à altura de suas conquistas junto ao público alagoano. 


30 ANOS DE CARREIRA 


Os primeiros passos dados foram criar projetos para movimentar e aproximar todos os públicos dos teatros. Na década de 90, elaborou o projeto Teatro Solidário em parceria com a Globo local (TV Gazeta) e foi uma explosão de público. "Começamos a elevar o patamar do padrão dos espetáculos naturais de Maceió. Tínhamos uma visibilidade de divulgação na maior emissora local. O projeto durou dez anos e me projetou como produtor", lembra. 


Mas, foram anos de trabalho até colher os resultados almejados por ele. Em 2005 foi o ano que Christiano considera que alcançou seu objetivo traçado anos atrás. Ele vibra ao afirmar que levou teatro para todos os públicos e mostrou que os artistas alagoanos são capazes de produzir montagens de qualidades. No elenco os personagens além de possuírem características da Classe C, também haviam nomes com traços de figuras da política alagoana. Este público predominava na plateia, mas não demorou muito para que o boca a boca atraísse a curiosidade de outros públicos. 


Christiano revela que essa identificação foi tão natural porque suas criações traziam particularidade de figuras que rendiam bons textos. "Os meus personagens foram criados através de observações em experiências que vivi nas ruas, observando e transformando pessoas reais em humor", afirma. Ele reconhece a responsabilidade que seus textos tinham, que apesar de ser altamente criticado pela nata alagoana, trazia uma forte crítica social. "A arte tem a função de despertar a reflexão, o humor tem o poder de fazer com que o indivíduo absorva o que está sendo abordado de forma leve e até mesmo sem perceber". 


Anos atrás quando a comunicação dependia apenas dos meios de comunicação como rádio, TV e mídia impressa, os ataques sofridos por Christiano e seu elenco eram constantes. Ele relembra que no começo as críticas eram mais difíceis, mas com o tempo começou a entender. "É normal e não posso focar somente nesse ponto. Quanto mais sucesso você faz, é nítido que mais visibilidade você está tendo", diz.


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Gutemberg Vieira

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