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Fernanda Vasconcelos diz que seria perda de tempo ser a nova "Namoradinha do Brasil"

Fernanda Vasconcelos
Ao receber em sua casa as roupas que usaria neste ensaio feito à distância pelo fotógrafo André Nicolau, Fernanda Vasconcellos foi tomada por um turbilhão de sensações. No primeiro momento, ficou ansiosa. “A ideia de fotografar fora de um estúdio me fez pensar nas coisas terríveis que estão acontecendo. Nossa realidade está cruel demais. Estamos sendo privados de tudo, principalmente do contato humano”, diz a atriz, de 36 anos. “Mas agradeci porque a solução, para esse caso, era simples. Joguei álcool em todos os looks e tive a ajuda do meu pai, (o engenheiro mecânico) Sérgio, para fazer a história funcionar”.

Desde que a Organização Mundial de Saúde decretou pandemia, em março de 2020, Fernanda saiu raras vezes de seu isolamento. “Conseguiria contar nos dedos de uma mão”, observa. “Fico dividida entre o Rio (onde divide o teto com o marido, o ator Cássio Reis) e São Paulo, onde meus pais moram. Mas viajo apenas de carro para minimizar o risco de contaminação. Também não encontro meus amigos presencialmente há tempos. Se tenho o privilégio de ficar reclusa, faço uso. Minha escolha é priorizar a vida”.

Para manter a saúde mental, a atriz costuma olhar para o céu e rezar. “Há dias em que as notícias me sufocam. Mas não quero abrir mão da esperança, de acreditar que o melhor está por vir. Durante esse período, a cultura foi um antídoto para aliviar a cabeça. A música é o néctar de Deus”, derrete-se a paulistana, casada há oito anos com Cássio, com quem planeja ter um filho quando a crise sanitária der uma trégua. “Ele é meu parceiro, meu companheiro, meu amor. A pandemia não nos distanciou, não atrapalhou a relação. Falando assim, parece que é um mar de rosas, mas é a verdade. Agradeço ao universo por ser coerente nas minhas escolhas, o que não é fácil. O jeito do meu marido combina com o meu. Eu me sinto muito confortável ao seu lado”.

Fernanda Vasconcelos
No isolamento, a presença de Noah, filho de Cássio com Danielle Winits, é constante. “Fico com dó do menino. Aos 13 anos, a gente quer socializar com os colegas. Nessa fase, ir à escola é um evento, um acontecimento delicioso. Noah é um garoto especial, entendeu as circunstâncias pelas quais estamos passando e conseguiu se adaptar. Ele é meu amigão, me ensina absolutamente tudo sobre jogos”, diz a atriz.

Rosto popular desde 2005, a paulistana é um caso atípico no ramo do entretenimento. É celebrada na indústria por sua obra, não por assuntos pessoais. “Percebi que é maravilhoso não ser mais a novidade. O público deixa de ter interesse no privado e foca no que é relevante: as novelas, as peças, os filmes. Obviamente que gosto de ser elogiada pela minha performance, mas não tenho aquela vontade de estar sempre no foco, nas manchetes. Atuar é o que me motiva, não a atenção”.

Enquanto espera sua vez para tomar a vacina e voltar ao batente (“Acho que ainda demora um pouquinho”, lamenta), Fernanda colhe os louros da cantora Lígia, sua personagem em “Coisa mais linda”, série da Netflix, que era vítima de violência doméstica. “Por ela, aprendi a cantar. Soltar a voz fazia me sentir insegura, mas tive a ajuda dos meus professores e diretores, que me incentivaram e mostraram que era possível. E muito dessa vulnerabilidade usei para compor a Lígia. Foi uma experiência que me enriqueceu e ampliou o horizonte. Entretanto, o maior legado que esse trabalho me deixou foi que se expressar é um direito humano, não um privilégio. Ao falar, a pessoa existe, coloca para fora as angústias, independentemente de estar agradando ou não”.

Além do streaming, a atriz está em cartaz na reprise da novela “A vida da gente”, da autora Lícia Manzo, na qual deu vida à tenista Ana, que tem o futuro totalmente modificado depois de sofrer um acidente que a colocou em coma profundo por anos. “Acompanho a trama religiosamente. Esse trabalho me traz boas lembranças. Os conflitos não eram rasos. Foi um mergulho profundo para entender os dilemas. Pude realizar meu ofício de maneira plena e respeitosa”.

Sem conter a gargalhada ao telefone, a paulistana fez uma breve retrospectiva de sua carreira. Começou aos 13 anos como modelo para poder pagar o colégio depois que o pai perdeu o emprego. Ele, por sinal, tinha o pé atrás e aconselhava a filha a pensar num plano B caso as coisas não saíssem como planejado. “Quase concluí o curso de Direito, mas abandonei a faculdade quando passei numa seleção para ‘Malhação’, em 2005. No fim da temporada, renovaram o contrato de vários atores, menos o meu. Fiquei mal à beça. Achei que o problema era comigo. Demitida, fui convidada para participar da novela ‘Páginas da vida’, de Manoel Carlos. Aí, as coisas foram caminhando, evoluindo. Mas até hoje faço testes que não sou aprovada. É uma profissão incerta”.

Dezesseis anos após a estreia na TV Globo, Fernanda afirma estar num lugar interessante. “A passagem do tempo é legal porque tira a pessoa de lugares impostos a ela pela indústria. As oportunidades mudam e a brincadeira vai ficando mais divertida e gostosa”, diz. “Só para constar: nunca fui a mocinha (papel corriqueiro em sua trajetória) na vida real, nunca me rendi a isso. Seria uma grande perda de tempo ser a namoradinha do Brasil”.

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Fonte O Globo

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