Aumento nos preços se espalha por vários setores da economia do Brasil

Aumento nos preços se espalha por vários setores da economia do Brasil

Ilustração

Os brasileiros têm sentido no bolso o alerta do Fundo Monetário sobre a inflação. O aumento nos preços não tem dado trégua mesmo com a população comprando menos. É que, desta vez, a alta de preços não é pelo aumento do consumo.

Na gangorra dos preços, de um lado está quem compra, do outro quem produz. E se o consumo está lá no chão, é a produção que está puxando a inflação para o alto. Uma situação que não se vê toda hora.

“Tudo isso tem a sua origem na Covid, na pandemia. Porque a pandemia levou fevereiro, março e abril do ano passado todo mundo a fechar as fábricas e trabalhar em casa. Aí a produção veio a zero e aí, quando voltou, a demanda veoltou em estilingue, subiu muito e aí desarranjou muito e quando começa a desarranjar, até pôr em ordem, fica muito difícil”, explica o economista José Roberto Mendonça de Barros.

No dicionário da economia, o nome é inflação de custos. Significa que, mesmo com pouca procura, o preço daquilo que vai para as prateleiras sobe porque produzir está cada vez mais caro.

Os especialistas dizem que tudo começou quando a pandemia cedeu um pouco lá fora. A economia de outros países começou a girar, aumentando a demanda mundial por alimentos, fontes de energia como o petróleo, insumos como o minério de ferro e outras matérias-primas, chamadas de commodities. O Brasil também entrou nessa disputa, mas em desvantagem por causa da moeda desvalorizada na hora de fechar negócios em dólar.

O índice de commodities do Banco Central, que acompanha os preços das matérias-primas com influência sobre inflação ao consumidor, mostra um aumento de 40% nos últimos 12 meses encerrados em agosto, na média. Olhando só para energia, a alta é ainda maior, de mais de 62%.

“É uma pressão de custo, uma verdadeira avalanche de custos que chega para o atacado e vai para o varejo em maior ou menor grau. No caso, por exemplo, dos alimentos – que respondem de maneira mais célere ao que acontece no atacado -, isso já pegou no último quadrimestre do ano passado”, diz o economista Fabio Romão.
E, no varejo, quer dizer, na ponta, todos pagamos o preço do aumento dos custos de produção.

“As pessoas foram impedidas de circular. E, evidentemente, elas acabaram gastando pouco da sua renda com serviços e destacando parte maior da sua renda para bens duráveis”, afirma Fabio Romão.

Mas a inflação chega ao bolso dos brasileiros de maneira desigual.
“Apesar da demanda no Brasil não estar nada extraordinária – mercado de trabalho melhorou um pouquinho, mas segue muito fraco -, a pressão nos preços é muito visível desde o começo do ano, criando realmente uma grande dificuldade especialmente para as famílias das classes C, D E – onde o custo de alimentação, energia e transporte pesa muito mais do que nas classes A e B, que é o que estamos vendo”, explica José Roberto Mendonça de Barros.
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Fonte Cenário MT

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