Acabou o carnaval? Não! Em abril tem mais | Lully FM - La Profundidade 88.1

Acabou o carnaval? Não! Em abril tem mais

Foto: Giovanni Mourão/Agência O Globo

Centenas de pessoas se concentravam entre a Pira Olímpica e o Espaço Cultural da Marinha, no Centro, antes mesmo das 8h, para curtirem, o último dia de carnaval. No bloco improvisado, foliões que estavam na rua desde ontem se misturavam aos sóbrios que ainda estavam iniciando os "trabalhos". Menos de 24 horas para a Quarta-feira de Cinzas, o público não encara o momento como uma despedida do carnaval mais diferente dos últimos tempos.

Às 9h, os termômetros já marcavam 30 graus: o calor é intenso e o foco dos foliões é o Centro do Rio. Apesar do sol escaldante, por lá, não havia ambulantes vendendo leques, tendência dos últimos dias.

Enquanto acompanhava o bloco desfilar em direção à Praça Quinze e depois para a Marechal Câmara, o americano Jordan Burchette conversava com seus amigos brasileiros, o casal Luiz Salles e Renata Valois. Jordan e Luiz usavam a mesma "fantasia", uma camisa com a frase: "Nos Estados Unidos não tem isso". Ou seja, não tem carnaval.

— Estou percebendo uma energia muito boa nos blocos, mesmo sendo pequenos. Nos maiores (os oficiais, cujos desfiles não foram autorizados pela prefeitura), deve ser uma energia mais forte ainda. O Rio é maravilhoso, as pessoas daqui também. Estou aproveitando todos os dias. Para mim, o que importa agora é a vibe, não o volume de pessoas — diz o americano, no Rio pela primeira vez.

Luiz diz esperar que os cortejos de carnaval de rua voltem a ocorrer em abril, como um "segundo carnaval". Pelo calendário oficial, no entanto, estão programados para o próximo mês apenas os desfiles das escolas de samba na Sapucaí.

— O brasileiro não vai querer parar por aqui depois de ter ficado o ano passado sem festa. Ainda temos abril, quando vão rolar os desfiles na Sapucaí e, com certeza, isso vai se estender para os blocos de rua — espera o folião, apoiado pela namorada:

— O Luiz é brasileiro mas foi criado lá (nos Estados Unidos). Tive a ideia de fazer essa camisa para o carnaval porque ele sempre fala, tanto para coisas boas quanto para ruins, que "nos Estados Unidos não tem isso". E uma coisa que eles não têm é o carnaval! — conclui Renata.

Na rua desde a tarde de ontem peregrinando atrás de blocos pelo Centro, os amigos José Carvalho, Rafael Falcão e Guilherme Marconi ainda resistiam ao cansaço na manhã desta terça. Os vizinhos do Maracanã, Tijuca e Grajaú, respectivamente, também acreditam que esses blocos vão se repetir em abril, mas que as atenções do poder público vão se concentrar na Sapucaí.

— Curti todos os dias, principalmente pela manhã. Ontem, a gente rodou o Centro inteiro e terminou a noite no Buraco do Lume. Foi a primeira vez que viramos a noite na rua. Até parece que, enquanto rolarem os desfiles no Sambódromo, os blocos não vão para a rua — disse José.

Maria Clara Mantel, moradora de Vila Isabel, já acha que os blocos improvisados são apenas um "esquenta para os que vão sair em abril".

— Tenho certeza que vamos ter dois carnavais merecidos em um ano. O povo resistiu e fez uma festa muito linda na rua. Tudo tranquilo, tudo bem e é só alegria, a gente merece. Até pensei em ir a festas privadas, mas quando já vi o povo na rua, não quis saber mais e fui atrás dos blocos — disse Maria Clara, que chegou ao Centro pela manhã, sem hora para ir embora.

Para a foliona Camila Vibors, de 33 anos, o carnaval deste mês foi apenas um aquecimento para o que ainda está por vir em abril.

— O nosso carnaval nunca foi o dos desfiles, sempre foi algo mais da rua e alternativo. Neste carnaval nós sofremos muita repressão e tivemos que correr de um lugar para outro para conseguirmos curtir algo. Para mim, esse feriado foi uma prévia do que ainda vai rolar em abril. Acredito que mesmo que não permitam os blocos de rua, a população vai dar um jeito de se reunir que nem fizemos agora — prevê Camila.

Do isolamento social para a folia

Enquanto para a maioria dos foliões o carnaval está chegando ao fim, para Letícia Halph, de 38, e Nicole Brapp, de 42, a folia está apenas começando. As duas amigas revelam que desde o início da pandemia da Covid-19 que não frequentam eventos. Nesta terça-feira, no último dia de festa, elas decidiram, pela primeira vez em quase dois anos, matar a saudade de celebrar ao lado de várias outras pessoas.

— Nós duas cumprimos direitinho o isolamento social. Durante toda a pandemia nós ficamos em casa e só fomos aos locais necessários, até porque estamos de home office. Começamos a flexibilizar as saídas depois da terceira dose da vacina, mas todos os locais eram propostas diferentes. Até agora nós não tínhamos ido a nenhuma festa ou show — explica Nicole.

Após tanto tempo longe das aglomerações, as amigas revelam que o dia foi nostálgico e marcante para elas.

— Hoje nós finalmente tiramos do armário todas as roupas de carnaval que estavam guardadas há tanto tempo. Foi uma experiência nostálgica, porque sempre fomos amantes dessa época do ano. Sempre curtimos muito os blocos de rua e neste ano foi tudo muito diferente — conta Letícia.

Dado o primeiro passo, Letícia e Nicole afirmam que pretendem voltar à rotina aos poucos.

— Para nós que estávamos trancadas há tanto tempo tudo é muito novo. Hoje pegamos o metrô pela primeira vez e foi uma sensação estranha. Estamos nos readaptando aos poucos a tudo aquilo que já fez parte da nossa vida diariamente — diz Nicole.

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Fonte Jornal Extra